sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

7. In Sanidades d'Hela












7.

A série de trabalhos intitulada "In Sanidade" faz referência aos estados de saúde mental, física e espiritual, questionando: o que é sano e o que é insano?


Colocando a fruição e o fazer artístico como parte importante na questão da sanidade, além dos recursos que nos são disponibilizados em nossos núcleos sociais, como a medicina física e/ou de estética corporal, passando pelos processos de saneamento mental, psicológico e dos recursos terapêuticos alternativos, como, por exemplo, os religiosos ou ritualísticos, visando o saneamento espiritual.

Todos esses processos são passíveis de serem questionados, reavaliados e valorados, conforme o nível de evolução cultural, intelectual, de conhecimento, ou tecnológico de cada época ou sociedade.

Assim como se questiona: O que é Arte? Se pode questionar: O que é a sanidade, e quais processos nos colocam mais dentro ou mais fora dela?

A Arte Contemporânea nos permite ampliar abordagens para além de tudo aquilo que já presenciamos validado como Arte.

Os trabalhos dessa série foram iniciados durante tratamento psiquiátrico da artista.

Internada em uma clínica com diagnóstico de depressão profunda - após grave crise resultante de agressão psicológica em seu local de trabalho, advinda de uma série de fatores correlatos, culminando em ataque pessoal à integridade emocional da artista, por parte de um de seus alunos de uma escola noturna onde exercia suas atividades laborais como professora -, a artista dá início a uma série de desenhos sobre a paisagem do local e de alguns pacientes, funcionários e visitantes da clínica.

A série recebe o nome de "In Sanidade", num jogo de palavras que instiga o questionamento sobre todo esse processo vivenciado ali, numa clínica psiquiátrica.

A violência, seja ela física ou psicológica, sempre faz estragos em nossa saúde, porém, a medida dessa violência e o quanto ela possa vir a nos afetar, nem sempre está visível aos olhos dos observadores externos. É nessa questão que a violência psicológica se insere com mais ênfase e é a mais difícil de ser tratada, pois não é possível de ser apontada assim tão facilmente. Além disso, a sensibilidade de cada um faz doer mais ou menos esse ou aquele incidente, ocasionando consequências mais ou menos profundas, que vão marcando nossa personalidade. Somente cada um de nós pode dizer o quanto pode suportar de dor... e onde dói mais, se em nossas dores corporais ou mentais...

A ciência, dentro dela os ramos da medicina, vem, através dos tempos, buscando remédios para ambas as dores, muitas vezes os remédios foram, ou são, muito mais doloridos, pois somos as próprias cobaias nesse processo, não temos como escapar disso.

A Arte pode nos agredir com suas imagens, ferir suscetibilidades e ser até cruel no conteúdo nela exposto, mas sempre aguça nossos sentidos de alguma forma. Porém, nossos sentidos não são parâmetros para avaliar corretamente a realidade, por isso, quanto mais a Arte nos questione e nos faça pensar, mais poderemos ultrapassar nossas percepções sensoriais para chegar a real medida das coisas, com o nosso intelecto.

Mas, que medida é essa?

Que parâmetros temos, cada um de nós, para medir a sanidade das coisas?

Veja-se Gaza, por exemplo, entre árabes e judeus, entre a vida e a morte, entre o amor e o ódio, a compreensão e a incompreensão, as bandeiras políticas, religiosas, territoriais, filosóficas e culturais sacodem o planeta e perguntam:

- Onde está a sanidade humana???!!!

In Sanidades d'Hela, é isso: nunca parar de perguntar: por quê?

O que amenizam as respostas que se vão encontrando é a energia dispendida no ato de fazer Arte, de buscar soluções para problemas estéticos de aliar forma e conteúdo, quando se expõe a alma...

Olhe bem para minha alma, diz a artista em suas obras, mesmo quando tenta expor nelas as almas de outrém, e avalie o que vês com a mesma profundidade ali exposta, só assim a catarse será completa e alguma sanidade, para um, ou ambos, poderá vir a ser possível...

A partir dessa série e desses questionamentos aí surgidos, vários outros trabalhos, anteriores e posteriores a esse processo, são reavaliados e nela também posicionados, por fazerem parte desse todo. Porque a busca da sanidade não é estanque, nem prioridade nossa em um único período, ela perpassa toda a nossa existência, em todas as nossas relações, fazeres, amores e dissabores, alegrias e tristezas, o certo e o errado, buscamos sempre um equilíbrio. Os desequilíbrios nos colocam no lado oposto: no insano.

Mas o que é sano, e o que é insano?

Não sabemos, nossas referências são os outros e suas atitudes, mas os outros, ao que parece, também não sabem...

Último diagnóstico: bipolaridade. Mas, o que é isso? Pular-se entre o sano e o insano?

Alma, voa livre, tu não precisas de diagnósticos!

Um abraço,

Hela Amorim.

2 comentários:

  1. Acabei de entrar no teu blog e estou gostando, parabéns Heloísa. Tá muito legal...
    Vou colocar um link prá cá nos meus blogs...
    Beijão

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    Respostas
    1. Obrigada!! Estou retomando o blog, agora ampliando para outras questões, que não só as artísticas e referentes a saúde mental.
      Um beijo!!

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