domingo, 11 de janeiro de 2009

12. Poesias d'Hela: In Sanidade

12.

In Sanidade

O grito abafado
De minha alma
Percorre insanas noites perenes
Nos labirintos de minha mente,
Essa mesma
Que demente,
Tenta fugir
Dos infinitos olhos da noite
Vigilantes que são
Dos meandros de meu ser
E do insensato em mim.
Mal sabendo
Da insensatez,
Essa mesma,
Ser o cerne
De minha lucidez.

By Helamor, 26 de maio de 2008, Clínica Psiquiátrica São José, Porto Alegre/RS, para a série de desenhos de mesmo nome: "In Sanidade", ainda sendo elaborados.

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Publicado a primeira vez no blog helamor, veja o texto na íntegra clicando aqui:
In Sanidade - poesia dHela
http://helamor.multiply.com/journal/item/181/In_Sanidade_-_poesia_dHela

sábado, 10 de janeiro de 2009

11. In Sanidade IX - My Frankenstein

11.


- A imagem foi feita para ilustrar a capa de um possível livro de contos de terror, a pedido de um paciente da clínica, Luiz Fernando, a partir da própria imagem dele, numa releitura de Frankenstein. A idéia era estruturar a imagem sob o prisma das clonagens humanas, fazendo um pararelo entre o eterno desejo do homem em imitar Deus no ato de criação de suas criaturas. Porém, isso não foi aceito por Luiz Fernando, pois ele queria que a imagem estivesse visivelmente associada com a imagem criada pelo cinema, não me permitindo explorar novas interpretações, como eu gostaria de ter feito, usando uma imagem mais contemporânea da criação de vida em laboratórios, através da clonagem de seres...
Entretanto, apesar de meio caricato, eu gostei do resultado e pretendo explorar mais essa idéia.





Sobre a historia original, transcrevo o texto abaixo.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Frankenstein

Frankenstein

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Nota: Se procura o filme de 1931, consulte Frankenstein (1931).


Interpretação da aparência clássica dada à criatura pelo cinema. A cicatriz na testa e os parafusos no pescoço não são descritos no livro.
Frankenstein ou o Moderno Prometeu (Frankenstein; or the Modern Prometheus, no original em inglês), mais conhecido simplesmente por Frankenstein, é um romance de terror gótico com inspirações do movimento romântico, de autoria de Mary Shelley, escritora britânica nascida em Londres. O romance relata a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que constrói um monstro em seu laboratório. Mary Shelley escreveu a história quando tinha apenas 19 anos, entre 1816 e 1817, e a obra foi primeiramente publicada em 1818, sem crédito para a autora na primeira edição. Atualmente costuma-se considerar a versão revisada da terceira edição do livro, publicada em 1831, como a definitiva.
O romance obteve grande sucesso e gerou todo um novo gênero de horror, tendo grande influência na literatura e cultura popular ocidental.

Índice




Enredo

Info Aviso: Este artigo ou seção contém revelações sobre o enredo (spoilers).
O romance é narrado através de cartas escritas pelo capitão R. Walton para sua irmã enquanto ele está ao comando de uma expedição náutica que busca achar uma passagem para o Pólo Norte. O navio sob o comando do capitão Walton fica preso quando o mar se congela, e a tripulação avista a criatura de Victor Frankenstein viajando em um trenó puxado por cães. A seguir o mar se agita, liberando o navio, e em uma balsa de gelo avistam o moribundo doutor Victor Frankenstein. Ao ser recolhido, Frankenstein passa a narrar sua história ao capitão Walton, que a reproduz nas cartas a irmã. A história do capitão Walton é chamada de narrativa moldura (as vezes também narrativa quadro), onde uma história contém outra.
Victor Frankenstein começa contando de sua infância em Genebra como filho de um aristocrata suíço e adolescência como estudante autodidata dedicado e talentoso. Neste ponto ele apresenta Elizabeth, criada como irmã adotiva, e Henry Clerval, seu amigo para a vida toda. Frankenstein interessa-se pelas ciências naturais e acaba estudando livros de mestres alquimistas, especialmente Cornélio Agripa, Paracelso e Albertus Magnus até os 17 anos de idade, quando seus pais enviam-no para estudar na Universidade de Ingolstadt, na Alemanha. Porém, antes da partida sua mãe contrai escarlatina ao cuidar de Elizabeth, e vem a falecer.
Ao chegar em Ingolstadt o jovem Victor procura seus futuros mestres, que condenam fortemente o tempo de estudo dedicado aos mestres alquimistas, e apresentam-lhe as modernas ciências naturais. Empenhado em descobrir os mistérios da criação, Victor estuda febrilmente e acaba encontrando o segredo da geração da vida, o qual se recusa a detalhar ao seu interlocutor, o capitão Walton.
Frankenstein então dedica-se a criar um ser humano gigantesco, sacrificando o contato com a família e a própria saúde, e após dois anos obtém sucesso. Porém, Victor enoja-se com sua criação, e abandona-a, fugindo. É encontrado por seu amigo Clerval, que viera a Ingolstadt estudar. Exausto, sucumbe à febre, sendo cuidado por seu amigo pelos meses seguintes, até seu reestabelecimento.
Victor Frankenstein recebe uma carta de seu pai relatando o assassinato de William, o seu irmão mais novo, e pedindo a sua volta. Ao chegar em Genebra, é informado que Justine, uma criada muito querida da casa dos Frankenstein, é acusada do crime, sendo encontrada com ela a jóia que o menino levava antes de desaparecer, e que não estava junto ao cadáver. Mesmo assim Victor está convencido de que Justine é inocente, e o verdadeiro culpado é a sua criatura. Porém as evidências contra ela são fortes e Justine é condenada a morte e executada pelo crime. Frankenstein passa a se sentir culpado por ter criado o monstro, e o segredo e a culpa passarão a lhe torturar.
Lutando contra o desespero, o doutor Frankenstein resolve escalar o Monte Branco. Durante a subida, é encontrado por sua criatura, que é surpreendentemente articulada e eloqüente. O monstro conta sua história, narrando como fugiu do laboratório de Frankenstein para uma floresta próxima, onde aprendeu a comer frutas e vegetais, e a usar o fogo. Porém, ao encontrar seres humanos era sempre escorraçado e agredido, então eventualmente esconde-se no depósito de lenha anexo a uma cabana. Lá, observa através de frestas na parede a vida de uma família pobre de ex-nobres, afeiçoando-se a eles e ajudando-os em segredo. A família consistia de um pai cego e um casal de irmãos. Aprende a língua e a escrita espionando as aulas que davam à noiva árabe do irmão, e encontra livros onde aprende sobre a vida e a virtude. Após longo tempo toma coragem para se apresentar a família, e consegue conversar com o pai cego, mas quando os filhos chegam e o vêem junto ao pai também escorraçam o monstro, e fogem para sempre da cabana. A criatura torna-se amargurada e resolve procurar seu criador, cujo diário descobrira no bolso do casaco que levou do laboratório na noite da fuga. Durante a travessia é sempre agredido pelos humanos.
Ao chegar em Genebra encontra o irmão mais novo de Victor, William, e assassina-o, incriminando depois Justine. Ao terminar sua história, o monstro exige a promessa de que Frankenstein construa uma fêmea para ele, prometendo por sua vez deixar a humanidade em paz e ir viver com a sua noiva nas selvas sul-americanas. Frankenstein concorda, e ao voltar para Genebra torna-se noivo de Elizabeth, partindo com Clerval para a Inglaterra, a fim de cumprir a sua promessa.
Na Grã-Bretanha, Frankenstein vai para uma ilha, onde começa a construir a fêmea. Entretanto, ele muda de idéia, temendo criar uma raça de monstros, e destrói a criatura incompleta. O monstro acompanha o ato, e jura se vingar. Em seguida assassina Clerval. Frankenstein chega a ser acusado do crime, mas é inocentado por possuir um forte álibi. Seu pai vem lhe buscar e ambos retornam à Suíça.
Mesmo devastado pela culpa e pela tristeza, Victor casa-se com Elizabeth e no mesmo dia sai para viajar em lua de mel. Na noite de núpcias, fica vigiando a casa, temendo um ataque da criatura contra ele, mas o monstro ataca Elizabeth e a estrangula. Victor volta a Genebra, e com a notícia da morte de Elizabeth, seu pai adoece e morre em seguida. Jurando vingança, o criador passa a perseguir a criatura, que o leva através de uma longa caçada em direção ao norte, prosseguindo pelos mares congelados, onde eventualmente são avistados pelo capitão Walton e sua tripulação.
O navio dos exploradores fica preso no gelo, e Victor, já bastante doente, acaba morrendo. O capitão Walton então surpreende a criatura na cabine, no leito de morte de Frankenstein, pranteando seu criador. Ela diz para Walton que não havia mais o que temer pois seus crimes terminaram com a morte de Frankestein e prometeu ir ao extremo Norte e lá ela cometeria o suícidio trazendo paz aos humanos.

Origens

Em 1815 o Monte Tambora na ilha de Sumbawa, na atual Indonésia, entrou em erupção. Como consequência, um milhão e meio de toneladas de poeira foram lançadas na atmosfera, bloqueando a luz solar, deixando o ano de 1816 sem verão no hemisfério norte.
Neste ano, Mary Shelley, então com 19 anos e ainda com o nome de solteira Mary Wollstonecraft Godwin, e seu futuro marido, Percy Bysshe Shelley, foram passar o verão a beira do Lago Léman, onde também se encontrava o amigo e escritor Lord Byron. Forçados a ficar confinados por vários dias em ambiente fechado pelo clima hostil anormal para a época e local, os três e mais outro hóspede, o também escritor John Polidori, passavam o tempo lendo uns para os outros historias de horror, principalmente histórias de fantasmas alemãs traduzidas para o francês.
Eventualmente Lord Byron propôs que os quatro escrevessem, cada um, uma história de fantasmas. Byron escreveu um conto que usaria em parte mais tarde na conclusão de seu poema Mazzepa. Inspirado por outro fragmento de história de Byron desta época, Polidori mais tarde escreveria o romance “O Vampiro”, que seria a primeira história ocidental contendo o vampiro como conhecemos hoje, e que décadas depois inspiraria Bram Stoker no seu Drácula. Porém, passados vários dias, Mary Shelley ainda não conseguira criar uma história. Eventualmente ela veio a ter uma visão sobre um estudante dando vida a uma criatura. Essa visão tornou-se a base da história de Frankenstein, a qual Mary Shelley veio a desenvolver em um romance, encorajada pelo seu futuro marido.
Desta forma, é curioso notar que o Frankenstein e o Vampiro vieram a ter sua gênese literária na mesma ocasião.
Shelley relatou sua versão da gênese da história no prefácio à terceira edição de seu romance.

O nome da criatura

Embora a cultura popular tenha associado o nome Frankenstein à criatura, esta não é nomeada por Mary Shelley. Ela é referida como “criatura”, “monstro”, “demônio”, “desgraçado” por seu criador. Após o lançamento do filme Frankenstein em 1933 o público passou a chamar assim a criatura. Isso foi adotado mais tarde em outros filmes. Alguns argumentam que o monstro é, de certa forma, um “filho” de Victor, e portanto pode ser chamado pelo mesmo sobrenome.
Frankenstein é o antigo nome de uma antiga cidade na Silésia, local de origem da família Frankenstein. Mary Shelley teria conhecido um membro desta família, o que possivelmente influenciou sua criação.

Edições


Frontispício da edição de 1831
Mary Shelley completou o romance em 1817 e Frankenstein ou o moderno Prometeu foi publicado em 1 de janeiro de 1818 por uma pequena editora de Londres, a Lackington, Hughes, Harding, Mavor & Jones, após ter sido rejeitada por duas outras editoras. A publicação não continha o nome da autora, somente um prefácio escrito por Percy Bysshe Shelley, seu noivo, e uma dedicatória a William Godwin, seu pai. A primeira edição foi feita em três volumes e teve impressas somente 500 cópias.
Apesar das críticas desfavoráveis, a edição teve um sucesso de público quase imediato. Ficou bastante conhecida, principalmente através de adaptações para o teatro e a obra foi traduzida para o francês.
A segunda edição de Frankenstein foi publicada em 11 de agosto de 1823 em dois volumes, desta vez com o crédito como autora para Mary Shelley.
Em 31 de outubro de 1831 a editora Henry Colburn & Richard Bentley lançou a primeira edição popular em um volume. Esta edição foi significativamente revisada por Mary Shelley, e continha um novo e longo prefácio escrito por ela, relatando a gênese da história. Esta edição é a mais conhecida e mais usada como base para traduções.

Temas

Frankenstein aborda diversos temas ao longo do texto, sendo o mais gritante a relação de criatura e criador, com óbvias implicações religiosas. Uma influência notável na obra é o poema Paraíso Perdido de John Milton, que aborda a criação do homem e sua subseqüente queda. A influência torna-se explícita tanto através da epígrafe que cita três versos do poema, quanto aparecendo diretamente em Frankenstein: é um dos livros que a criatura lê.
A queda, ou a ruína, está bastante presente no livro de Shelley, que traça a destruição física e moral de Victor Frankenstein, e é aludida não só nas citações de Paraíso Perdido, como no próprio título da obra: O Moderno Prometeu. Prometeu é um personagem da mitologia grega, um titã que, ao roubar o segredo do fogo, o qual era reservado aos deuses, para doá-lo a humanidade, é severamente punido por Zeus. O paralelo com a trajetória de Victor Frankenstein é direto, e o livro deixa claro que o segredo da criação da vida a partir de matéria inanimada é de natureza divina.
O poder exercido pela humanidade sobre a Natureza através da ciência e da tecnologia é outro tema principal da obra, e encaixa-se no espírito da época, o estágio inicial da Revolução Industrial.
Outros temas são abordados com menos ênfase. A amizade verdadeira é tratada, com o Capitão Walton desejando tornar-se amigo de Victor, e Victor elaborando sobre ela ao se referir a sua amizade com Clerval.
Preconceito, ingratidão e injustiça também estão presentes. A criatura é sempre julgada por sua aparência, e agredida antes de ter uma chance de se defender. Em um episódio, o monstro salva uma garotinha inconsciente e, ao tentar devolvê-la para seu pai, é baleado e acusado de tê-la agredido. A inveja também aparece, ao subverter os bons sentimentos iniciais do monstro.
A expressão do sublime através da grandiosidade da Natureza é um tema caro ao Romantismo, e aparece em Frankenstein nas descrições das grandes planícies de gelo e das paisagens da Europa.
Por fim, a inevitabilidade do destino, tema muito desenvolvido na literatura clássica, é constatemente aludida ao longo do romance, que é uma obra que se presta a múltiplas interpretações e leituras.

Adaptações

O romance foi primeiramente adaptado para o teatro, e posteriormente para um grande número de mídias, incluindo rádio, televisão e cinema, além de quadrinhos.

Thomas Edison realiza em 1910 a primeira adaptação cinematográfica da obra de Shelley.
A primeira adaptação para o cinema foi feita pelos Edison Studios em 1910. Foi produzida por Thomas Edison e trazia Charles Ogle no papel da criatura. Uma das mais famosas transposições do romance para as telas é a realizada em 1931 pela Universal Pictures, dirigida por James Whale, com Boris Karloff como o Monstro. Esta adaptação deu a aparência mais conhecida do monstro, com uma cabeça chata, parafusos no pescoço e movimentos pesados e desajeitados (apesar do livro descrever a criatura como extremamente ágil). Este filme tornou-se um clássico do cinema.
Um grande número de continuações seguiram-se, mas desta vez divergindo bastante da história narrada no romance. Em 1943 o personagem foi vivido por Bela Lugosi em Frankenstein Encontra o Lobisomem. Já em 1969 foi a vez de Peter Cushing estrelar a versão do diretor Terence Fisher que levou o título de Frankenstein tem que ser Destruído. Na década de 80 o personagem voltaria em dois filmes: Frankenstein do diretor James Ormerod e Gothic de Ken Russell.
Em 1994 foi lançada uma adaptação cinematográfica dirigida por Kenneth Branagh de nome Mary Shelley's Frankenstein (veja a entrada IMDb), com o próprio Branagh no papel de Victor Frankenstein, Robert De Niro como a criatura e Helena Bonham Carter como Elizabeth. Apesar do título sugerir uma adaptação fiel, o filme toma uma série de liberdades com a história original.
As representações do Monstro e sua história têm variado bastante, de uma simples máquina de matar sem capacidade de reflexão a uma criatura trágica e plenamente articulada, o que seria mais próximo do retratado no livro.
O romance Frankenstein ainda serviu como inspiração para o filme Edward Mãos de Tesoura (1990), de Tim Burton.

Ligações externas

10. Hela na Clínica


10.

1. Hela desenhando no quiosque da Clinica São José.
O lugar é muito lindo e inspirador, recomendo!!
[In the open area, of course!!]
:P














2. Hela, Dayse e parte da Mulher Misteriosa, pátio da Clínica São José, 2008.
Tomando um solzinho...











3. Unidade Dejerine da Clínica São josé, salão da recepção, decorado por Hela para o aniversário de uma das pacientes internada lá naquele momento...












4. O galho mostra corações com flores de papel crepon, para serem levados como recordação da festa.










5. A lareira, com o galho de lembrancinhas junto dela...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

9. In Sanidade V


9.
Modelo: uma amiga, pediu para não ser identificada. Então:
Mulher Misteriosa. Maio/2008.

8. In Sanidade II

8.
Modelo: Dayse.
Clínica São José, maio/2008.
Foto do desenho feita por celular e editada por editor de imagens.

7. In Sanidades d'Hela












7.

A série de trabalhos intitulada "In Sanidade" faz referência aos estados de saúde mental, física e espiritual, questionando: o que é sano e o que é insano?


Colocando a fruição e o fazer artístico como parte importante na questão da sanidade, além dos recursos que nos são disponibilizados em nossos núcleos sociais, como a medicina física e/ou de estética corporal, passando pelos processos de saneamento mental, psicológico e dos recursos terapêuticos alternativos, como, por exemplo, os religiosos ou ritualísticos, visando o saneamento espiritual.

Todos esses processos são passíveis de serem questionados, reavaliados e valorados, conforme o nível de evolução cultural, intelectual, de conhecimento, ou tecnológico de cada época ou sociedade.

Assim como se questiona: O que é Arte? Se pode questionar: O que é a sanidade, e quais processos nos colocam mais dentro ou mais fora dela?

A Arte Contemporânea nos permite ampliar abordagens para além de tudo aquilo que já presenciamos validado como Arte.

Os trabalhos dessa série foram iniciados durante tratamento psiquiátrico da artista.

Internada em uma clínica com diagnóstico de depressão profunda - após grave crise resultante de agressão psicológica em seu local de trabalho, advinda de uma série de fatores correlatos, culminando em ataque pessoal à integridade emocional da artista, por parte de um de seus alunos de uma escola noturna onde exercia suas atividades laborais como professora -, a artista dá início a uma série de desenhos sobre a paisagem do local e de alguns pacientes, funcionários e visitantes da clínica.

A série recebe o nome de "In Sanidade", num jogo de palavras que instiga o questionamento sobre todo esse processo vivenciado ali, numa clínica psiquiátrica.

A violência, seja ela física ou psicológica, sempre faz estragos em nossa saúde, porém, a medida dessa violência e o quanto ela possa vir a nos afetar, nem sempre está visível aos olhos dos observadores externos. É nessa questão que a violência psicológica se insere com mais ênfase e é a mais difícil de ser tratada, pois não é possível de ser apontada assim tão facilmente. Além disso, a sensibilidade de cada um faz doer mais ou menos esse ou aquele incidente, ocasionando consequências mais ou menos profundas, que vão marcando nossa personalidade. Somente cada um de nós pode dizer o quanto pode suportar de dor... e onde dói mais, se em nossas dores corporais ou mentais...

A ciência, dentro dela os ramos da medicina, vem, através dos tempos, buscando remédios para ambas as dores, muitas vezes os remédios foram, ou são, muito mais doloridos, pois somos as próprias cobaias nesse processo, não temos como escapar disso.

A Arte pode nos agredir com suas imagens, ferir suscetibilidades e ser até cruel no conteúdo nela exposto, mas sempre aguça nossos sentidos de alguma forma. Porém, nossos sentidos não são parâmetros para avaliar corretamente a realidade, por isso, quanto mais a Arte nos questione e nos faça pensar, mais poderemos ultrapassar nossas percepções sensoriais para chegar a real medida das coisas, com o nosso intelecto.

Mas, que medida é essa?

Que parâmetros temos, cada um de nós, para medir a sanidade das coisas?

Veja-se Gaza, por exemplo, entre árabes e judeus, entre a vida e a morte, entre o amor e o ódio, a compreensão e a incompreensão, as bandeiras políticas, religiosas, territoriais, filosóficas e culturais sacodem o planeta e perguntam:

- Onde está a sanidade humana???!!!

In Sanidades d'Hela, é isso: nunca parar de perguntar: por quê?

O que amenizam as respostas que se vão encontrando é a energia dispendida no ato de fazer Arte, de buscar soluções para problemas estéticos de aliar forma e conteúdo, quando se expõe a alma...

Olhe bem para minha alma, diz a artista em suas obras, mesmo quando tenta expor nelas as almas de outrém, e avalie o que vês com a mesma profundidade ali exposta, só assim a catarse será completa e alguma sanidade, para um, ou ambos, poderá vir a ser possível...

A partir dessa série e desses questionamentos aí surgidos, vários outros trabalhos, anteriores e posteriores a esse processo, são reavaliados e nela também posicionados, por fazerem parte desse todo. Porque a busca da sanidade não é estanque, nem prioridade nossa em um único período, ela perpassa toda a nossa existência, em todas as nossas relações, fazeres, amores e dissabores, alegrias e tristezas, o certo e o errado, buscamos sempre um equilíbrio. Os desequilíbrios nos colocam no lado oposto: no insano.

Mas o que é sano, e o que é insano?

Não sabemos, nossas referências são os outros e suas atitudes, mas os outros, ao que parece, também não sabem...

Último diagnóstico: bipolaridade. Mas, o que é isso? Pular-se entre o sano e o insano?

Alma, voa livre, tu não precisas de diagnósticos!

Um abraço,

Hela Amorim.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

6. In Sanidade VI


6.
Modelo: Sabrininha

5. In Sanidade VII


5.
In sanidade 7
Julho 2008
Modelo: Sabrina.

4. In Sanidade IV


4.
2ª Paisagem da série de desenhos.
Clínica São José, maio 2008.

3. In Sanidade I - Editado















3.
Mesmo desenho da postagem anterior que, após digitalização, foi editado em editor de imagens.

2. In Sanidade I

2.
1º Desenho da série "In Sanidade".
Paisagem, Clínica São José, maio de 2008.