domingo, 13 de dezembro de 2009

Os Amores Perdidos


O mundo dos amores perdidos
Está guardado no paralelo da existência.

Foto by Hela - Túnel Verde, Pinhal/RS, em novembro/2009.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vida: idioma desconhecido - PoemHela

Às vezes tenho mais medo do que me aconteceu
Não pelo que aconteceu
Mas pelo que isso fez comigo
Tirou-me de mim o meu próprio ser
Que já nem sei mais quem é

O pior, é que não é culpa de ninguém
Sou apenas eu, que não sei ler a vida
Alguém pode me dizer em que idioma ela está?

Por um fio - PoemHela

Palpitaram-me uns pensamentos
Como pipas a voar pelo ceu ventoso
Por não mais palpitar meu coração
Posto que este já não vê mais sentido
Em vaguear por aí preso por um fio...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O prazer de escrever - PoemHela

Apossei-me das letras
Para com elas delirar de prazer
Já que com "eles",
não há mais o que fazer...

Enfim, tédio. - PoemHela

Conheci tantos amores
tão curtos
tão infames
que um tédio louco se apossou de mim
tão longo
tão apaixonado
que é o único que não tem mais fim.

The day after - PoemHela

Ando procurando companhia
Só encontro desgosto
Não há gozo
No gosto azedo da solidão,
Do dia seguinte ao desfrute da paixão.

Sexta-feira de Paixão - PoemHela

Sou a tarja preta na lapela
O badalo do sino na capela
O choro no féretro
E o pingo da vela
Morri,
Numa sexta-feira de paixão.

O vento levou - PoemHela's

Já não há mais o que fazer
Perdi meu tempo procurando o vento
E o que eu queria era o que o vento levou...


[Este é um dos meus PoemHela's, vou passar a publicá-los aqui, Bjs...]

terça-feira, 19 de maio de 2009

Um Elogio à Loucura

Encontrei o texto de Andréa Trompczynski, por acaso, na web, e adorei!
Como estou adorando tudo o mais que encontro dela, vale a pena, desfrute:

[Beijos insanos,
Hela]

Um Elogio à Loucura

Andréa Trompczynski
+ de 5100 Acessos
+ 4 Comentário(s)

Emanuelle Crialese nunca leu Guimarães Rosa, mas algumas verdades são eternas e pessoas em diferentes lugares e épocas têm semelhantes impressões. Respiro, segundo filme de Crialese, de 2002, e Sorôco, sua mãe, sua filha, conto do Rosa, dizem exatamente o mesmo. Fazem de tudo para afastar o caos, internar os loucos. E, quando finalmente conseguem, enlouquecem eles. Ou trazem o caos de volta, por não conseguirem viver sem.

Grazia (Valeria Golino) é uma bipolar típica. Com oscilações de humor imensas, da euforia para crises depressivas, dando o quê falar para as mulheres rezadeiras do povoado de pescadores em Lampedusa, sul da Sicília. A família tenta protegê-la até as últimas consequências. A mesma tristeza de Sorôco, empurrado pelo povo a internar na capital a mãe e a única filha. Mas no conto, a loucura volta através do próprio povo, que começa a cantar a música insana e disparatada que as mulheres cantavam antes e que "ninguém não entendia". No filme, é Grazia quem volta depois de fugir para não ir ver o doutor na capital que lhe trataria, e, é acolhida então na cena mais perfeita do filme (só aquele azul inconcebível do Mediterrâneo, nesta cena submersa, nem precisava uma boa história).

Quando o tema é loucura, é impossível eu não me voltar e parar um pouco para ver do que se trata. Estudei enfermagem para trabalhar numa clínica psiquiátrica, há muitos anos. Acabei internada em uma. Sou bipolar. E já vi o Sorôco em meu pai quando precisei de um internamento. Não, um bipolar não precisa de choques, não imaginem isso. As clínicas de hoje são como um Spa mais simples. Você descansa e tenta parar um pouco. Porque a velocidade do pensamento de um bipolar é tão acelerada que às vezes acontecem umas estafas. E é preciso parar um pouco para o motor esfriar. As pessoas um pouco mais velhas devem conhecer a mesma "doença" com outro nome: Psicose Maníaco-Depressiva (que, tenho certeza absoluta só mudou em algum congresso psiquiátrico internacional por unanimidade de votos depois do Norman Bates, que deixou a palavra assustadora). Para quem viu o filme Um Estranho no Ninho (ou o livro de Ken Kesey, sem dúvida, menor que o filme; quando o Kesey disse que nunca veria o filme de Milos Forman, não sabia o que estava perdendo) é a mesma doença do Randle Patrick McMurphy. Mas tem vários estágios, é claro.

Não quero falar aqui sobre a parte triste da loucura e sofrimentos que existem por causa dela, porque a parte triste também está nos não-loucos. Mas sobre a parte mágica. Sobre a capacidade que ela tem de te libertar. Sobre um olhar que uma vez vi numa esquizofrênica no meu estágio de enfermagem num hospital psiquiátrico (hospício, não há palavra melhor), olhar de liberdade. Uma inteligência que assombrou-me. Como aquele olhar do Andy Kaufman que o Jim Carrey conseguiu mediunicamente fazer tão bem no filme do também aficcionado pelos não-normais Milos Formam (afinal ele também fez o filme do louco Larry Flint).

Uma vez um professor emprestou-me O Elogio da Loucura, do Erasmo de Rotterdam com um prefácio dito que apenas fez-me devorá-lo assim que o tive em minhas mãos: "tem certeza que você está preparada para ler isso?", eu disse: "não", e ele: "ótimo, aqui está, nunca sinta-se preparada para nada, é a morte".

Mas não me rendi ao Carbolitium. E não me renderei. Aprendi a aproveitar os momentos de euforia e até mesmo os depressão, e não consigo entender como as pessoas tentam fugir tanto da solitude e da tristeza. É um sentimento que precisa ser vivido e degustado como os outros. Não anestesiado com antidepressivos (ou televisão, comida, compras).

Geralmente é muito engraçado. Como por exemplo olhar para uma parede de azulejos e calcular quantos têm, porque o cerébro precisa estar sempre pensando. Dou muita risada. Meu filho de cinco anos perguntou uma vez o que era que tinha de diferente dentro da minha cabeça, "ah, filho, não é muito não, apenas quando uma pessoa está descascando batata, como eu agora, está pensando em descascar a batata e a mamãe está pensando em distorções no espaço-tempo, ou em como deve ser o cheiro do rio em Pasárgada e se o Bandeira está nadando lá agora com a Mãe D`água e as prostitutas bonitas", e o Juca: "puxa, que legal mãe, acho que você está certa, o rio de Pasárgada é muito mais importante que as batatas, não é?". É sim, filho.