quinta-feira, 2 de julho de 2015

Drogas

O problema do Brasil são as drogas.
As drogas de partidos políticos;
As drogas de políticos;
As drogas de viciados e viciantes, traficantes;
As drogas de regalias e injustiças;
As drogas de más administrações públicas;
A droga do sistema penitenciário falido;
As drogas de desvios de verbas, propinas, corrupção - corruptos e corruptores - maracutaias, má índole, más intenções...
E, dentre outras, segundo a nossa presidente, a droga dos delatores...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Lamento da Rede

Chora a rede
A perda de seu amado
Há bem pouco o teve
Em seus braços entrelaçado

Num ato masoquista de amor
Sorveu-lhe a vida
Para manter-se útil perante seu senhor

E cai novamente na água
Pelas mãos de quem a criou

Procura desesperada
Enredilhar um novo amor.

Sabe que é efêmero o gozo
Fugaz prazer mórbido
A dilacerar-lhe as entranhas

Mas, vadia, perscruta as ondas
Transpondo-as sem pesar
Sabe que a qualquer momento
Um novo amor,
Num abraço mortal,
Vai levar consigo à bordo

E quando perceber seu destino
Vai chorar a perda do amado
Novamente
Sem ver o ato em si consumado

E vai condenar seu senhor:
- "Assassino, assassino!"

Porém, temendo a si
A mesma sorte
Deixa-se levar pelo algoz
- que não espera a última lágrima -

Já outra vez na água
Pede encarecida ao mar:
- "Leva-me a tuas entranhas, para que eu lá apodreça.
Não deixes que por uns peixes
Novamente eu padeça."

Lábia de tagarela!
Avista ao longe um cardume
E se põe à espera.

Mas, rompida a rede do que a prendia enfim
Um incauto se aproxima,
E diz:
- "Espera, mar, que eu vou com ela..."

Boa Noite

Uma noite vingativa bate nas janelas

Com seus matizes traiçoeiros
Pede uma fresta a entrar.

Sussurra versos de amor

Tão indefeso é o sono
Que lhe concede a graça.

A noite, então, espreita sorrateira
E, pela fresta, invade a casa inteira.

Num suspiro, enche de sonhos o dormente

Os versos da noite se esvanecem nos quartos
E quem dorme fica à toa,
Esperando que a noite lhe seja boa...

Afetos


São perdidos os afetos que deixamos pra depois.
Depois, nunca mais haverá tempo.

Foto: Lilica's, by Hela - outubro/2009.

Sonhos em papéis na gaveta

São tão dispersos nossos sonhos
Que os perdemos no esquecimento de quem guarda na gaveta:
Infinitos pedaços de papel,
Qualquer hora a gente revê
- Arruma, organiza e nunca lê -
O tempo passa
Expira o prazo
E não há mais nada a fazer...

Os Amores Perdidos


O mundo dos amores perdidos
Está guardado no paralelo da existência.

Foto by Hela - Túnel Verde, Pinhal/RS, em novembro/2009.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vida: idioma desconhecido - PoemHela

Às vezes tenho mais medo do que me aconteceu
Não pelo que aconteceu
Mas pelo que isso fez comigo
Tirou-me de mim o meu próprio ser
Que já nem sei mais quem é

O pior, é que não é culpa de ninguém
Sou apenas eu, que não sei ler a vida
Alguém pode me dizer em que idioma ela está?

Por um fio - PoemHela

Palpitaram-me uns pensamentos
Como pipas a voar pelo ceu ventoso
Por não mais palpitar meu coração
Posto que este já não vê mais sentido
Em vaguear por aí preso por um fio...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O prazer de escrever - PoemHela

Apossei-me das letras
Para com elas delirar de prazer
Já que com "eles",
não há mais o que fazer...