Como estou adorando tudo o mais que encontro dela, vale a pena, desfrute:
[Beijos insanos,
Hela]
Um Elogio à Loucura
Andréa Trompczynski
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Grazia (Valeria Golino) é uma bipolar típica. Com oscilações de humor imensas, da euforia para crises depressivas, dando o quê falar para as mulheres rezadeiras do povoado de pescadores em Lampedusa, sul da Sicília. A família tenta protegê-la até as últimas consequências. A mesma tristeza de Sorôco, empurrado pelo povo a internar na capital a mãe e a única filha. Mas no conto, a loucura volta através do próprio povo, que começa a cantar a música insana e disparatada que as mulheres cantavam antes e que "ninguém não entendia". No filme, é Grazia quem volta depois de fugir para não ir ver o doutor na capital que lhe trataria, e, é acolhida então na cena mais perfeita do filme (só aquele azul inconcebível do Mediterrâneo, nesta cena submersa, nem precisava uma boa história).
Quando o tema é loucura, é impossível eu não me voltar e parar um pouco para ver do que se trata. Estudei enfermagem para trabalhar numa clínica psiquiátrica, há muitos anos. Acabei internada em uma. Sou bipolar. E já vi o Sorôco em meu pai quando precisei de um internamento. Não, um bipolar não precisa de choques, não imaginem isso. As clínicas de hoje são como um Spa mais simples. Você descansa e tenta parar um pouco. Porque a velocidade do pensamento de um bipolar é tão acelerada que às vezes acontecem umas estafas. E é preciso parar um pouco para o motor esfriar. As pessoas um pouco mais velhas devem conhecer a mesma "doença" com outro nome: Psicose Maníaco-Depressiva (que, tenho certeza absoluta só mudou em algum congresso psiquiátrico internacional por unanimidade de votos depois do Norman Bates, que deixou a palavra assustadora). Para quem viu o filme Um Estranho no Ninho (ou o livro de Ken Kesey, sem dúvida, menor que o filme; quando o Kesey disse que nunca veria o filme de Milos Forman, não sabia o que estava perdendo) é a mesma doença do Randle Patrick McMurphy. Mas tem vários estágios, é claro.
Não quero falar aqui sobre a parte triste da loucura e sofrimentos que existem por causa dela, porque a parte triste também está nos não-loucos. Mas sobre a parte mágica. Sobre a capacidade que ela tem de te libertar. Sobre um olhar que uma vez vi numa esquizofrênica no meu estágio de enfermagem num hospital psiquiátrico (hospício, não há palavra melhor), olhar de liberdade. Uma inteligência que assombrou-me. Como aquele olhar do Andy Kaufman que o Jim Carrey conseguiu mediunicamente fazer tão bem no filme do também aficcionado pelos não-normais Milos Formam (afinal ele também fez o filme do louco Larry Flint).
Uma vez um professor emprestou-me O Elogio da Loucura, do Erasmo de Rotterdam com um prefácio dito que apenas fez-me devorá-lo assim que o tive em minhas mãos: "tem certeza que você está preparada para ler isso?", eu disse: "não", e ele: "ótimo, aqui está, nunca sinta-se preparada para nada, é a morte".
Mas não me rendi ao Carbolitium. E não me renderei. Aprendi a aproveitar os momentos de euforia e até mesmo os depressão, e não consigo entender como as pessoas tentam fugir tanto da solitude e da tristeza. É um sentimento que precisa ser vivido e degustado como os outros. Não anestesiado com antidepressivos (ou televisão, comida, compras).
Geralmente é muito engraçado. Como por exemplo olhar para uma parede de azulejos e calcular quantos têm, porque o cerébro precisa estar sempre pensando. Dou muita risada. Meu filho de cinco anos perguntou uma vez o que era que tinha de diferente dentro da minha cabeça, "ah, filho, não é muito não, apenas quando uma pessoa está descascando batata, como eu agora, está pensando em descascar a batata e a mamãe está pensando em distorções no espaço-tempo, ou em como deve ser o cheiro do rio em Pasárgada e se o Bandeira está nadando lá agora com a Mãe D`água e as prostitutas bonitas", e o Juca: "puxa, que legal mãe, acho que você está certa, o rio de Pasárgada é muito mais importante que as batatas, não é?". É sim, filho.

Que seria de Nós se não fosse os LOucos...
ResponderExcluirA Loucura nada mais é do que um jeito simples de ver a vida..
Einstein...passou de LOuco a Gênio.
"A Genialidade é um tipo de LOucura"(john Lennon)