Chora a rede
A perda de seu amado
Há bem pouco o teve
Em seus braços entrelaçado
Num ato masoquista de amor
Sorveu-lhe a vida
Para manter-se útil perante seu senhor
E cai novamente na água
Pelas mãos de quem a criou
Procura desesperada
Enredilhar um novo amor.
Sabe que é efêmero o gozo
Fugaz prazer mórbido
A dilacerar-lhe as entranhas
Mas, vadia, perscruta as ondas
Transpondo-as sem pesar
Sabe que a qualquer momento
Um novo amor,
Num abraço mortal,
Vai levar consigo à bordo
E quando perceber seu destino
Vai chorar a perda do amado
Novamente
Sem ver o ato em si consumado
E vai condenar seu senhor:
- "Assassino, assassino!"
Porém, temendo a si
A mesma sorte
Deixa-se levar pelo algoz
- que não espera a última lágrima -
Já outra vez na água
Pede encarecida ao mar:
- "Leva-me a tuas entranhas, para que eu lá apodreça.
Não deixes que por uns peixes
Novamente eu padeça."
Lábia de tagarela!
Avista ao longe um cardume
E se põe à espera.
Mas, rompida a rede do que a prendia enfim
Um incauto se aproxima,
E diz:
- "Espera, mar, que eu vou com ela..."
domingo, 13 de dezembro de 2009
Boa Noite
Uma noite vingativa bate nas janelas
Com seus matizes traiçoeiros
Pede uma fresta a entrar.
Sussurra versos de amor
Tão indefeso é o sono
Que lhe concede a graça.
A noite, então, espreita sorrateira
E, pela fresta, invade a casa inteira.
Num suspiro, enche de sonhos o dormente
Os versos da noite se esvanecem nos quartos
E quem dorme fica à toa,
Esperando que a noite lhe seja boa...
Com seus matizes traiçoeiros
Pede uma fresta a entrar.
Sussurra versos de amor
Tão indefeso é o sono
Que lhe concede a graça.
A noite, então, espreita sorrateira
E, pela fresta, invade a casa inteira.
Num suspiro, enche de sonhos o dormente
Os versos da noite se esvanecem nos quartos
E quem dorme fica à toa,
Esperando que a noite lhe seja boa...
Marcadores:
desaparecer,
esvanecer,
noite,
poemhela's,
poesia,
poesias dhela
Afetos
São perdidos os afetos que deixamos pra depois.
Depois, nunca mais haverá tempo.
Foto: Lilica's, by Hela - outubro/2009.
Marcadores:
afeto,
poemhela's,
poesias dhela,
tempo
Sonhos em papéis na gaveta
São tão dispersos nossos sonhos
Que os perdemos no esquecimento de quem guarda na gaveta:
Infinitos pedaços de papel,
Qualquer hora a gente revê
- Arruma, organiza e nunca lê -
O tempo passa
Expira o prazo
E não há mais nada a fazer...
Que os perdemos no esquecimento de quem guarda na gaveta:
Infinitos pedaços de papel,
Qualquer hora a gente revê
- Arruma, organiza e nunca lê -
O tempo passa
Expira o prazo
E não há mais nada a fazer...
Marcadores:
gaveta,
papéis,
poemhela's,
poesia,
poesias dhela,
sonhos
Os Amores Perdidos
O mundo dos amores perdidos
Está guardado no paralelo da existência.
Foto by Hela - Túnel Verde, Pinhal/RS, em novembro/2009.
Marcadores:
amor,
amores,
existência,
existenciais,
paralelo,
paralelos,
poemas,
poemhela's,
poesias dhela
Assinar:
Comentários (Atom)
