Chora a rede
A perda de seu amado
Há bem pouco o teve
Em seus braços entrelaçado
Num ato masoquista de amor
Sorveu-lhe a vida
Para manter-se útil perante seu senhor
E cai novamente na água
Pelas mãos de quem a criou
Procura desesperada
Enredilhar um novo amor.
Sabe que é efêmero o gozo
Fugaz prazer mórbido
A dilacerar-lhe as entranhas
Mas, vadia, perscruta as ondas
Transpondo-as sem pesar
Sabe que a qualquer momento
Um novo amor,
Num abraço mortal,
Vai levar consigo à bordo
E quando perceber seu destino
Vai chorar a perda do amado
Novamente
Sem ver o ato em si consumado
E vai condenar seu senhor:
- "Assassino, assassino!"
Porém, temendo a si
A mesma sorte
Deixa-se levar pelo algoz
- que não espera a última lágrima -
Já outra vez na água
Pede encarecida ao mar:
- "Leva-me a tuas entranhas, para que eu lá apodreça.
Não deixes que por uns peixes
Novamente eu padeça."
Lábia de tagarela!
Avista ao longe um cardume
E se põe à espera.
Mas, rompida a rede do que a prendia enfim
Um incauto se aproxima,
E diz:
- "Espera, mar, que eu vou com ela..."
domingo, 13 de dezembro de 2009
Boa Noite
Uma noite vingativa bate nas janelas
Com seus matizes traiçoeiros
Pede uma fresta a entrar.
Sussurra versos de amor
Tão indefeso é o sono
Que lhe concede a graça.
A noite, então, espreita sorrateira
E, pela fresta, invade a casa inteira.
Num suspiro, enche de sonhos o dormente
Os versos da noite se esvanecem nos quartos
E quem dorme fica à toa,
Esperando que a noite lhe seja boa...
Com seus matizes traiçoeiros
Pede uma fresta a entrar.
Sussurra versos de amor
Tão indefeso é o sono
Que lhe concede a graça.
A noite, então, espreita sorrateira
E, pela fresta, invade a casa inteira.
Num suspiro, enche de sonhos o dormente
Os versos da noite se esvanecem nos quartos
E quem dorme fica à toa,
Esperando que a noite lhe seja boa...
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Afetos
São perdidos os afetos que deixamos pra depois.
Depois, nunca mais haverá tempo.
Foto: Lilica's, by Hela - outubro/2009.
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Sonhos em papéis na gaveta
São tão dispersos nossos sonhos
Que os perdemos no esquecimento de quem guarda na gaveta:
Infinitos pedaços de papel,
Qualquer hora a gente revê
- Arruma, organiza e nunca lê -
O tempo passa
Expira o prazo
E não há mais nada a fazer...
Que os perdemos no esquecimento de quem guarda na gaveta:
Infinitos pedaços de papel,
Qualquer hora a gente revê
- Arruma, organiza e nunca lê -
O tempo passa
Expira o prazo
E não há mais nada a fazer...
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Os Amores Perdidos
O mundo dos amores perdidos
Está guardado no paralelo da existência.
Foto by Hela - Túnel Verde, Pinhal/RS, em novembro/2009.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Vida: idioma desconhecido - PoemHela
Às vezes tenho mais medo do que me aconteceu
Não pelo que aconteceu
Mas pelo que isso fez comigo
Tirou-me de mim o meu próprio ser
Que já nem sei mais quem é
O pior, é que não é culpa de ninguém
Sou apenas eu, que não sei ler a vida
Alguém pode me dizer em que idioma ela está?
Não pelo que aconteceu
Mas pelo que isso fez comigo
Tirou-me de mim o meu próprio ser
Que já nem sei mais quem é
O pior, é que não é culpa de ninguém
Sou apenas eu, que não sei ler a vida
Alguém pode me dizer em que idioma ela está?
Por um fio - PoemHela
Palpitaram-me uns pensamentos
Como pipas a voar pelo ceu ventoso
Por não mais palpitar meu coração
Posto que este já não vê mais sentido
Em vaguear por aí preso por um fio...
Como pipas a voar pelo ceu ventoso
Por não mais palpitar meu coração
Posto que este já não vê mais sentido
Em vaguear por aí preso por um fio...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
O prazer de escrever - PoemHela
Apossei-me das letras
Para com elas delirar de prazer
Já que com "eles",
não há mais o que fazer...
Para com elas delirar de prazer
Já que com "eles",
não há mais o que fazer...
Enfim, tédio. - PoemHela
Conheci tantos amores
tão curtos
tão infames
que um tédio louco se apossou de mim
tão longo
tão apaixonado
que é o único que não tem mais fim.
tão curtos
tão infames
que um tédio louco se apossou de mim
tão longo
tão apaixonado
que é o único que não tem mais fim.
The day after - PoemHela
Ando procurando companhia
Só encontro desgosto
Não há gozo
No gosto azedo da solidão,
Do dia seguinte ao desfrute da paixão.
Só encontro desgosto
Não há gozo
No gosto azedo da solidão,
Do dia seguinte ao desfrute da paixão.
Sexta-feira de Paixão - PoemHela
Sou a tarja preta na lapela
O badalo do sino na capela
O choro no féretro
E o pingo da vela
Morri,
Numa sexta-feira de paixão.
O badalo do sino na capela
O choro no féretro
E o pingo da vela
Morri,
Numa sexta-feira de paixão.
O vento levou - PoemHela's
Já não há mais o que fazer
Perdi meu tempo procurando o vento
E o que eu queria era o que o vento levou...
[Este é um dos meus PoemHela's, vou passar a publicá-los aqui, Bjs...]
Perdi meu tempo procurando o vento
E o que eu queria era o que o vento levou...
[Este é um dos meus PoemHela's, vou passar a publicá-los aqui, Bjs...]
terça-feira, 19 de maio de 2009
Um Elogio à Loucura
Encontrei o texto de Andréa Trompczynski, por acaso, na web, e adorei!
Como estou adorando tudo o mais que encontro dela, vale a pena, desfrute:
[Beijos insanos,
Hela]
Um Elogio à Loucura
Andréa Trompczynski
+ de 5100 Acessos
+ 4 Comentário(s)
Grazia (Valeria Golino) é uma bipolar típica. Com oscilações de humor imensas, da euforia para crises depressivas, dando o quê falar para as mulheres rezadeiras do povoado de pescadores em Lampedusa, sul da Sicília. A família tenta protegê-la até as últimas consequências. A mesma tristeza de Sorôco, empurrado pelo povo a internar na capital a mãe e a única filha. Mas no conto, a loucura volta através do próprio povo, que começa a cantar a música insana e disparatada que as mulheres cantavam antes e que "ninguém não entendia". No filme, é Grazia quem volta depois de fugir para não ir ver o doutor na capital que lhe trataria, e, é acolhida então na cena mais perfeita do filme (só aquele azul inconcebível do Mediterrâneo, nesta cena submersa, nem precisava uma boa história).
Quando o tema é loucura, é impossível eu não me voltar e parar um pouco para ver do que se trata. Estudei enfermagem para trabalhar numa clínica psiquiátrica, há muitos anos. Acabei internada em uma. Sou bipolar. E já vi o Sorôco em meu pai quando precisei de um internamento. Não, um bipolar não precisa de choques, não imaginem isso. As clínicas de hoje são como um Spa mais simples. Você descansa e tenta parar um pouco. Porque a velocidade do pensamento de um bipolar é tão acelerada que às vezes acontecem umas estafas. E é preciso parar um pouco para o motor esfriar. As pessoas um pouco mais velhas devem conhecer a mesma "doença" com outro nome: Psicose Maníaco-Depressiva (que, tenho certeza absoluta só mudou em algum congresso psiquiátrico internacional por unanimidade de votos depois do Norman Bates, que deixou a palavra assustadora). Para quem viu o filme Um Estranho no Ninho (ou o livro de Ken Kesey, sem dúvida, menor que o filme; quando o Kesey disse que nunca veria o filme de Milos Forman, não sabia o que estava perdendo) é a mesma doença do Randle Patrick McMurphy. Mas tem vários estágios, é claro.
Não quero falar aqui sobre a parte triste da loucura e sofrimentos que existem por causa dela, porque a parte triste também está nos não-loucos. Mas sobre a parte mágica. Sobre a capacidade que ela tem de te libertar. Sobre um olhar que uma vez vi numa esquizofrênica no meu estágio de enfermagem num hospital psiquiátrico (hospício, não há palavra melhor), olhar de liberdade. Uma inteligência que assombrou-me. Como aquele olhar do Andy Kaufman que o Jim Carrey conseguiu mediunicamente fazer tão bem no filme do também aficcionado pelos não-normais Milos Formam (afinal ele também fez o filme do louco Larry Flint).
Uma vez um professor emprestou-me O Elogio da Loucura, do Erasmo de Rotterdam com um prefácio dito que apenas fez-me devorá-lo assim que o tive em minhas mãos: "tem certeza que você está preparada para ler isso?", eu disse: "não", e ele: "ótimo, aqui está, nunca sinta-se preparada para nada, é a morte".
Mas não me rendi ao Carbolitium. E não me renderei. Aprendi a aproveitar os momentos de euforia e até mesmo os depressão, e não consigo entender como as pessoas tentam fugir tanto da solitude e da tristeza. É um sentimento que precisa ser vivido e degustado como os outros. Não anestesiado com antidepressivos (ou televisão, comida, compras).
Geralmente é muito engraçado. Como por exemplo olhar para uma parede de azulejos e calcular quantos têm, porque o cerébro precisa estar sempre pensando. Dou muita risada. Meu filho de cinco anos perguntou uma vez o que era que tinha de diferente dentro da minha cabeça, "ah, filho, não é muito não, apenas quando uma pessoa está descascando batata, como eu agora, está pensando em descascar a batata e a mamãe está pensando em distorções no espaço-tempo, ou em como deve ser o cheiro do rio em Pasárgada e se o Bandeira está nadando lá agora com a Mãe D`água e as prostitutas bonitas", e o Juca: "puxa, que legal mãe, acho que você está certa, o rio de Pasárgada é muito mais importante que as batatas, não é?". É sim, filho.
Como estou adorando tudo o mais que encontro dela, vale a pena, desfrute:
[Beijos insanos,
Hela]
Um Elogio à Loucura
Andréa Trompczynski
+ 4 Comentário(s)
Grazia (Valeria Golino) é uma bipolar típica. Com oscilações de humor imensas, da euforia para crises depressivas, dando o quê falar para as mulheres rezadeiras do povoado de pescadores em Lampedusa, sul da Sicília. A família tenta protegê-la até as últimas consequências. A mesma tristeza de Sorôco, empurrado pelo povo a internar na capital a mãe e a única filha. Mas no conto, a loucura volta através do próprio povo, que começa a cantar a música insana e disparatada que as mulheres cantavam antes e que "ninguém não entendia". No filme, é Grazia quem volta depois de fugir para não ir ver o doutor na capital que lhe trataria, e, é acolhida então na cena mais perfeita do filme (só aquele azul inconcebível do Mediterrâneo, nesta cena submersa, nem precisava uma boa história).
Quando o tema é loucura, é impossível eu não me voltar e parar um pouco para ver do que se trata. Estudei enfermagem para trabalhar numa clínica psiquiátrica, há muitos anos. Acabei internada em uma. Sou bipolar. E já vi o Sorôco em meu pai quando precisei de um internamento. Não, um bipolar não precisa de choques, não imaginem isso. As clínicas de hoje são como um Spa mais simples. Você descansa e tenta parar um pouco. Porque a velocidade do pensamento de um bipolar é tão acelerada que às vezes acontecem umas estafas. E é preciso parar um pouco para o motor esfriar. As pessoas um pouco mais velhas devem conhecer a mesma "doença" com outro nome: Psicose Maníaco-Depressiva (que, tenho certeza absoluta só mudou em algum congresso psiquiátrico internacional por unanimidade de votos depois do Norman Bates, que deixou a palavra assustadora). Para quem viu o filme Um Estranho no Ninho (ou o livro de Ken Kesey, sem dúvida, menor que o filme; quando o Kesey disse que nunca veria o filme de Milos Forman, não sabia o que estava perdendo) é a mesma doença do Randle Patrick McMurphy. Mas tem vários estágios, é claro.
Não quero falar aqui sobre a parte triste da loucura e sofrimentos que existem por causa dela, porque a parte triste também está nos não-loucos. Mas sobre a parte mágica. Sobre a capacidade que ela tem de te libertar. Sobre um olhar que uma vez vi numa esquizofrênica no meu estágio de enfermagem num hospital psiquiátrico (hospício, não há palavra melhor), olhar de liberdade. Uma inteligência que assombrou-me. Como aquele olhar do Andy Kaufman que o Jim Carrey conseguiu mediunicamente fazer tão bem no filme do também aficcionado pelos não-normais Milos Formam (afinal ele também fez o filme do louco Larry Flint).
Uma vez um professor emprestou-me O Elogio da Loucura, do Erasmo de Rotterdam com um prefácio dito que apenas fez-me devorá-lo assim que o tive em minhas mãos: "tem certeza que você está preparada para ler isso?", eu disse: "não", e ele: "ótimo, aqui está, nunca sinta-se preparada para nada, é a morte".
Mas não me rendi ao Carbolitium. E não me renderei. Aprendi a aproveitar os momentos de euforia e até mesmo os depressão, e não consigo entender como as pessoas tentam fugir tanto da solitude e da tristeza. É um sentimento que precisa ser vivido e degustado como os outros. Não anestesiado com antidepressivos (ou televisão, comida, compras).
Geralmente é muito engraçado. Como por exemplo olhar para uma parede de azulejos e calcular quantos têm, porque o cerébro precisa estar sempre pensando. Dou muita risada. Meu filho de cinco anos perguntou uma vez o que era que tinha de diferente dentro da minha cabeça, "ah, filho, não é muito não, apenas quando uma pessoa está descascando batata, como eu agora, está pensando em descascar a batata e a mamãe está pensando em distorções no espaço-tempo, ou em como deve ser o cheiro do rio em Pasárgada e se o Bandeira está nadando lá agora com a Mãe D`água e as prostitutas bonitas", e o Juca: "puxa, que legal mãe, acho que você está certa, o rio de Pasárgada é muito mais importante que as batatas, não é?". É sim, filho.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
O sujeito do consumo e os laços afetivos
[Na insanidade existencial, todos somos consumidos de alguma forma por algo.
Encontrei esse artigo, reproduzido abaixo, onde o assunto é tratado sob o prisma da psicanálise.
Boa leitura!
Hela.]

Print ISSN 1519-9479
O cliente
O sujeito do consumo e os laços afetivos
Dalva de Andrade Monteiro*
Círculo Psicanalítico da Bahia
RESUMO
Neste admirável, incrível e, por vezes, aterrorizante mundo novo quem é o sujeito que nele habita e tenta sobreviver? Como estão sendo construídos os laços afetivos desse sujeito cada vez mais inscrito nessa ordem do “vive para consumir, consome para viver”?
Palavras-chave: Alienação, Consumismo, Laços afetivos, Pós-modernidade, Sujeito.
PARA COMEÇAR...
O desafio de se buscar o entendimento, a compreensão e o controle da complexidade humana e do seu espaço/tempo de existência, visando diminuir o desamparo pré-histórico, postergar a morte que se aproxima, e gozar a felicidade hic et nunc, provavelmente, são as mais fortes motivações das produções humanas, sejam elas intelectuais ou de transformação da matéria, sejam individuais ou coletivas. O homo sapiens, o corpo biológico, o homem espiritual, o ser cultural, o ser social, o sujeito histórico, o sujeito do inconsciente (desejo e linguagem), o sujeito político, e muitas outras nomeações que se possa dar, sob a ótica de vários saberes, confirmam que o gênero humano, no seu processo de existência e reprodução, é um ser narcisista que contempla o próprio umbigo, para consumir e enquanto se consome.
Este encontro, realizado na contemporaneidade de um admirável mundo novo, propõe que se pense o homem sob o ponto de vista ou no papel de psicanalista, de cliente ou de instituição. Esta última nada mais é do que a estrutura que congrega, organiza grupos de homens e mulheres para que continuem surgindo novos analistas e novos clientes, para que a Psicanálise possa ter continuidade.
Apesar de ser uma reflexão sobre três aspectos, ou a partir de três posições, a divisão é apenas didática, para facilitar abordagens, uma vez que o analista já foi, continua sendo ou, em alguns casos, voltará a ser um cliente. O cliente pode vir a ser ou é um analista. E a instituição, por sua vez, é composta por analistas ex-clientes, ou analistas em estado real ou em potencial de ser clientes.
O analista atua em três papéis ou se expressa em três funções, que não são totalitárias (pois há as exceções dos analistas independentes), mas são hegemônicas:
1) submete- se à análise para seu usufruto pessoal e da própria Psicanálise, que se fortalece tanto como uma práxis, quanto como instituição;
2) executa a análise, para subsistir como pessoa e como analista; e,
3) sustenta a existência da instituição que legitima o processo de seu auto-conhecimento, a sua formação, suas produções e o exercício de sua função.
É o famoso três em um. Se fosse uma propaganda de incentivo ao consumo, acenando um objeto com três funções numa única aquisição ou uma oferta comercial prometendo três unidades num só pacote, certamente, poderia se esperar aceitação do produto, corrida para as compras, disputa entre consumidores e sucesso de vendas. No caso da Psicanálise, no seu cotidiano desde sua invenção, essa experiência tri-unitária e tri-utilitária sempre foi muito conflituosa, passional, ambivalente, marcada por grandes disputas e dezenas de rachas, que fizeram surgir outras teorias da subjetividade humana, muitas instituições em várias partes do mundo e milhares de comunicações que se remetem à teoria psicanalítica, mesmo que inadequadamente algumas vezes.
A relação triangular proposta pela organização do XV Congresso do Círculo Brasileiro de Psicanálise é instigante e emblemática porque coloca na berlinda as três pedras angulares da reprodução da Psicanálise. Cada um que aqui está desenvolve (ou desenvolveu) concomitante ou seqüencialmente as três funções; atua (ou atuou) nos três papéis. Assim sendo, as intervenções aqui apresentadas revelam a visão do psicanalista, mas é, também, o entendimento de um ex-cliente (que pode estar em análise ou estar retornando a ela) que analisa a instituição que propiciou e legitima sua formação, sua análise e sua prática.
É uma situação tão desafiadora quanto privilegiada e tão ambivalente que a neutralidade é inalcançável. Mesmo abordando o sujeito cliente sob a ótica do consumismo, é a leitura do individual e do coletivo, do consciente e do inconsciente, do objetivo e do subjetivo, do que está dentro e está fora, tal qual se circular pelo labirinto, passear pela Banda de Moebius.
O SUJEITO DO CONSUMO E DOS AFETOS
O consumismo tem sido confundido com boa qualidade de vida. Em nome da comodidade adquire-se o hábito de se abastecer de alimentos industrializados, encaixotados, embalados e enlatados, numa mistura química inominável, que sobrecarrega mais que nutre, e esteriliza a flora natural de qualquer um. Respira-se gases tóxicos oriundos das grandes fábricas e dos automóveis que geram ironicamente, de modo indireto ou direto, mais comodidade. Nenhuma casa moderna prescinde de eletrodomésticos. Uma cozinha bem equipada pode ter mais de dez aparelhos eletrônicos, que facilitam a vida da dona de casa, mas infelizmente, criam ruídos e campos eletromagnéticos, certamente não inócuos, que só o futuro poderá revelar as alterações biomoleculares que estão em processo no consumidor da atualidade.
Num frenesi de prazeres superficiais e descartáveis e até ameaçadores à própria integridade física, o poder midiático institucionaliza a anomia. Como no exemplo da indústria automobilística, que lança carros com propagandas e desempenho sedutores para grandes velocidades, fomentando inveja de quem não os possui, associando-os à potência sexual masculina, num país que até nas estradas a velocidade máxima permitida por lei é de 80 Km/h.
A onipotência e a onipresença da mídia determinam o que se come, onde se vive, como e onde se morar e se divertir, o que trajar, o que se ler, em que se acreditar, como deve ser a história da vida cotidiana no terceiro milênio, na pós-modernidade. O consumo é a nova ordem e a nova lei que eternizam o bem descartável, no seu tempo veloz (mais rápido de que o “o infinito enquanto dure” do poetinha Vinícius de Moraes), enquanto não chega a nova tendência, ditada pelos interesses econômicos que tornam tudo substituível e superado, para garantia de novos lucros.
O consumismo cria necessidades artificiais com tal força e apelo que há o esvaziamento, ou uma perversão do senso crítico, a ponto de que ao se possuir um objeto que não seja o último lançamento, mesmo cumprindo sua finalidade, pode se enfrentar constrangimentos. O exemplo dos celulares é pertinente: de uma semana para outra, aparecem novos modelos, com opções das mais variadas, que não se relacionam com sua finalidade básica. O novo aparelho é o que vende, é o que está na moda, é o que exibido, garante aceitação, é fashion.
Segundo Boltanski, a mídia é a grande divulgadora do consumo, investindo no público feminino, através de revistas que são lidas pelas mulheres das classes superiores, médias e populares, difundindo o comportamento e a necessidade da classe alta, aumentando o consumo de roupas, produto de beleza, bronzeadores, emagrecedores, etc. As necessidades virtuais são impostas como normas e padrões de consumo próprios das classes superiores, sob a ótica das classes dominantes. O autor cita as revistas francesas Elle e Marie-Claire, com versões em português para o Brasil, que visam as mulheres porque socialmente elas são detentoras da função de consumo. Elas prestam mais atenção ao corpo e exteriorizam mais seus gostos.
Tendo em vista que o índice de analfabetismo é alto no Brasil e o poder aquisitivo bem mais restrito que o francês, há que se pensar que as novelas, principalmente as da “emissora do plim, plim”, têm cumprido esse papel de manipulador e que vem massificando as escolhas. Para o mesmo autor, perder peso, fazer plástica e lipo aspiração são os cânones de beleza das classes superiores e o mal estar, a vergonha de não usufruir desses valores é a “vergonha de classe”.
O apelo ao consumo universaliza metaforicamente a finitude humana. As relações de afeto interpessoais e intrafamiliares são fragilizadas e inconsistentes nos programas e nas propagandas televisivas, que bombardeiam a qualquer hora, sem distinção da faixa etária que deve ser atingida. A exemplo dos objetos que se compra, utiliza por algum tempo e logo se despreza, o sujeito não cria vínculos estáveis com sua família nuclear, mas submete-se à tirania de ter mais e cada vez mais. É a alienação do poder econômico, gerando a alienação do consumismo, que por sua vez, gera a alienação das relações parentais. Essa deve ser uma das razões porque filhos abastados ou drogaditos têm sido notícia por terem assassinado seus genitores. Eles representavam uma lei ultrapassada, uma lei que devia permanecer, e por isso, eram um obstáculo ao vício do consumo.
A sociedade coletivamente não se deita no divã, mas o indivíduo ao deitar-se a traz consigo na sua formação, na sua subjetividade, na sua história, na sua cultura, nas suas relações sociais. O sintoma fala do sujeito singular e o habitus, segundo Bourdieu, fala do sujeito da cultura, analisado coletivamente. A sociedade é a grande família, as instituições sociais, funcionam como a grande lei que interdita. O desejo de consumo não existe apenas entre os que detêm o poder de adquiri-los. O apelo da mídia desperta necessidades de consumo em todas as camadas sociais. O consumismo desenfreado que parece nivelar a todos na pseudo democratização do desejo, tem sua face discriminatória e exclui o acesso. Muitos são chamados e pouco são os escolhidos. Muitos são seduzidos e poucos são os que podem se satisfazer.
Alguns burlam ou sublimam sua frustração aderindo às alternativas, aos similares, aos genéricos. Para Boltanski, quem tem dinheiro compra uma roupa de couro e quem não tem usa napa; quem pode, usa jóia e quem não pode, enfeita-se de bijuterias. Constata-se que há poder aquisitivo para o Mac Donald, para o Habibs e para os vendedores de lanche ambulantes. Há produção de objetos personalizados, caros, de produção restrita, com o nome e ao gosto do freguês para o primeiro grupo. Para o segundo, há uma produção em massa, indiferenciada, homogenizadora.
Existe o terceiro grupo que é maior em quantidade e não tem poder aquisitivo algum. É uma grande parcela da população que é hipnotizada pela mídia, tem o convite universal ao consumo, mas são todos excluídos, por não terem poder de compra. Essa frustração renovada é uma das causas da violência urbana, que banaliza a vida do ser humano, a ponto de valer menos do que um tênis, entre os rebeldes, aqueles mobilizam a força policial nos grandes centros, principalmente, nas grandes festas de consumo, tais como Natal e Carnaval. A frustração também causa a “doença dos nervos” que se manifesta nos corpos e no psiquismo dos enquadrados, dos que se resignam.
Exagerados ou sensíveis ao desenrolar dos acontecimentos, os diretores e roteiristas da sétima arte focalizam o outro lado da moeda. Estão anunciando que o homem, a sua realidade e sentimentos não passam de uma grande construção: tão frágil, quanto virtual. Anunciam que há o tempo de caçar e há o tempo de ser caçado. Sugerem que pode ocorrer a inversão e o grande consumidor pode ser consumido. É possível que nessa leitura cinematográfica, que questiona e ameaça o domínio e o direito do homem sobre sua vida e atos nas sociedades modernas, esteja a paranóia do criador que na sua ambivalência admira e teme o que criou.
Em 1968, Stanley Kubrick, no filme “2001 – Uma odisséia no espaço”, mostra um super computador assumindo o controle de uma nave espacial, que viajava numa missão para Júpiter, à medida que ia eliminando seus tripulantes. Ridley Scott, em 1982, coloca nas telas robôs perfeitos, criados à semelhança humana que devem ser exterminados porque se rebelaram, no filme “Blader Runner”. Peter Weir, em 1998, de forma inquietante, incomoda a certeza de veracidade do que é real, daqueles que experimentam uma vidinha tranqüila e rotineira, como a do personagem de “O show de Truman – o show da vida”.
Mais sofisticado e mais ameaçador é o enredo de Matrix, dos irmãos Wachowiski, em 1999. A máquina controla tudo através de uma simulação da realidade, na qual o ser humano vive imerso numa sociedade virtual, que não passa de um sonho, uma grande farsa. Além disso é também usado como bateria para abastecer um sistema de inteligência artificial, que dá vida aos softwares conscientes, autônomos que podem tomar qualquer forma, inclusive a humana.
Oráculo ou diversão, essas produções cinematográficas incomodam. Não é mais a máquina criada para o usufruto e comodidade do homem, mas o homem criado para servir à máquina. É a ironia dos fatos: o que fora criado para consumo do homem, transforma-o em objeto de consumo. Mais do que alienado do próprio desejo, o atual escravo do consumo corre o risco de mais adiante estar alienado da própria vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
“O que conta nas coisas ditas pelos homens não é tanto o que teriam pensado aquém ou além delas, mas o que desde o princípio as sistematiza, tornando-se pelo tempo afora,infinidamente acessíveis a novos discursos e aberturas às tarefas de transformá-las”.
( Foucault 1987:XVIII)
Hiper estimulado pelo universo de necessidades básicas e necessidades artificiais, há que se dar um encaminhamento a esses estímulos. Por quanto tempo o princípio da realidade controla o princípio do prazer? como o ego vai conseguir administrar e conservar-se competente nessa relação ego X id X superego? Dentre os suscetíveis ao canto sedutor do consumo, quem dispõe de alto poder aquisitivo consome os originais; quem tem menos consome os genéricos ou similares. Mas a realidade mostra que no Brasil e no mundo, a maioria da população está concentrada na camada de classes populares, aqueles que não têm nada, nada alcançam e nada podem.
Guardando algumas especificidades, do ponto de vista econômico, a análise é um bem de consumo, uma mercadoria de troca (tempo disponível e conhecimento do técnico), o cliente é o consumidor (que usufrui, consome pagando o bem) e o analista é o detentor do bem (conhecimento/tempo técnicos transformados em honorário). Semelhante aos médicos, os analistas sofrem as perdas financeiras do mercado e são forçados a se submeter aos planos de saúde, que são os grande tubarões a devorar pequenos e médios peixes.
A mudança determinada pela nova ordem econômica revela que as pessoas não têm mais tempo e muito menos dinheiro. A análise da pequena burguesia que ocorria cinco vezes/semana nos dias de Freud, vem ocorrendo quando muito duas vezes por semana, porque o comum são sessões semanais e até quinzenais. Claro que ainda resta o espaço que preserva o “discreto charme de burguesia”, das sessões a cada seis meses ou anuais na França.
Se o poder de concentração de renda circula entre os que se situam no pontiagudo topo da pirâmide econômica, qual a alternativa de abordagem do psiquismo que se oferece para consumo de mais de 70% da população brasileira, usuária do Sistema Único de Saúde (SUS)? O que se descortina é estarrecedor: na vacância da oportunidade de se elaborar a subjetividade, reinam inabaláveis os psicofármacos, para fortalecimento das multinacionais que fabricam felicidade em blísters, para ser consumida em miligramas.
Sabe-se que 60% dos que procuram um serviço de saúde, podem ter seu problema resolvido no nível básico de atendimento porque não apresentam distúrbios orgânicos complexos. No entanto, são submetidos a uma parafernália de exames caros, com resultado negativo, porque o médico não tem tempo de ouvir os 20 pacientes/turno que deve atender, garantindo sua produtividade mensal na unidade de serviço.
As estatísticas de Saúde Pública comprovam que apenas 40% dos que procuram uma consulta precisam passar para níveis de atenção de média e alta complexidades. Os outros 60% teriam seu problema resolvido no nível básico, com uma escuta técnica voltada para uma compreensão que transcenda ao biológico, porque são pessoas que sofrem as crises existenciais, o desamparo da perda de aquisição, de identidade e de segurança impostas pelo neo liberalismo.
O filme Matrix retrata uma sociedade alienada e sugere a mudança a partir de um processo/momento de conscientização, da ação das “ilhas de resistência“. As descobertas que mudam o rumo alienante, são mostradas na seqüência do filme, na qual o personagem central não se permite mais ser ferido pelas balas, que acreditava serem reais, mudando sua percepção sobre elas, percebendo-as como realmente eram: uma construção.
A instituição, o psicanalista e o saber psicanalíticos colocam-se como uma das opções nos dias atuais para desfazer a alienação do próprio desejo, que escraviza ao desejo do outro. Resta ao analista, cliente e a instituição o desafio de descobrir parceiros, como e por onde construir a alternativa da oportunidade da elaboração psíquica, dos insigts, para a clientela que não pode consumir uma Psicanálise que vive os louros nostálgicos da falida e diminuta burguesia. Há um campo novo para esse saber na pós-modernidade, um campo que emerge na rede própria, nos Serviços de Saúde do SUS.
BIBLIOGRAFIA
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MONTEIRO, D. de A. 2003. Psicanálise e Perversão. In: O viés perverso da sexualidade, Cogito – Publicação do Círculo Psicanalítico da Bahia, V. 05, pp. 39-45.
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THOMPSON, J. B. 1999. O advento da interação mediada.In: A mídia e a modernidade. Petrópolis: Vozes, pp. 77-106.
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Encontrei esse artigo, reproduzido abaixo, onde o assunto é tratado sob o prisma da psicanálise.
Boa leitura!
Hela.]
Cógito
|
O cliente
O sujeito do consumo e os laços afetivos
Dalva de Andrade Monteiro*
Círculo Psicanalítico da Bahia
RESUMO
Neste admirável, incrível e, por vezes, aterrorizante mundo novo quem é o sujeito que nele habita e tenta sobreviver? Como estão sendo construídos os laços afetivos desse sujeito cada vez mais inscrito nessa ordem do “vive para consumir, consome para viver”?
Palavras-chave: Alienação, Consumismo, Laços afetivos, Pós-modernidade, Sujeito.
PARA COMEÇAR...
O desafio de se buscar o entendimento, a compreensão e o controle da complexidade humana e do seu espaço/tempo de existência, visando diminuir o desamparo pré-histórico, postergar a morte que se aproxima, e gozar a felicidade hic et nunc, provavelmente, são as mais fortes motivações das produções humanas, sejam elas intelectuais ou de transformação da matéria, sejam individuais ou coletivas. O homo sapiens, o corpo biológico, o homem espiritual, o ser cultural, o ser social, o sujeito histórico, o sujeito do inconsciente (desejo e linguagem), o sujeito político, e muitas outras nomeações que se possa dar, sob a ótica de vários saberes, confirmam que o gênero humano, no seu processo de existência e reprodução, é um ser narcisista que contempla o próprio umbigo, para consumir e enquanto se consome.
Este encontro, realizado na contemporaneidade de um admirável mundo novo, propõe que se pense o homem sob o ponto de vista ou no papel de psicanalista, de cliente ou de instituição. Esta última nada mais é do que a estrutura que congrega, organiza grupos de homens e mulheres para que continuem surgindo novos analistas e novos clientes, para que a Psicanálise possa ter continuidade.
Apesar de ser uma reflexão sobre três aspectos, ou a partir de três posições, a divisão é apenas didática, para facilitar abordagens, uma vez que o analista já foi, continua sendo ou, em alguns casos, voltará a ser um cliente. O cliente pode vir a ser ou é um analista. E a instituição, por sua vez, é composta por analistas ex-clientes, ou analistas em estado real ou em potencial de ser clientes.
O analista atua em três papéis ou se expressa em três funções, que não são totalitárias (pois há as exceções dos analistas independentes), mas são hegemônicas:
1) submete- se à análise para seu usufruto pessoal e da própria Psicanálise, que se fortalece tanto como uma práxis, quanto como instituição;
2) executa a análise, para subsistir como pessoa e como analista; e,
3) sustenta a existência da instituição que legitima o processo de seu auto-conhecimento, a sua formação, suas produções e o exercício de sua função.
É o famoso três em um. Se fosse uma propaganda de incentivo ao consumo, acenando um objeto com três funções numa única aquisição ou uma oferta comercial prometendo três unidades num só pacote, certamente, poderia se esperar aceitação do produto, corrida para as compras, disputa entre consumidores e sucesso de vendas. No caso da Psicanálise, no seu cotidiano desde sua invenção, essa experiência tri-unitária e tri-utilitária sempre foi muito conflituosa, passional, ambivalente, marcada por grandes disputas e dezenas de rachas, que fizeram surgir outras teorias da subjetividade humana, muitas instituições em várias partes do mundo e milhares de comunicações que se remetem à teoria psicanalítica, mesmo que inadequadamente algumas vezes.
A relação triangular proposta pela organização do XV Congresso do Círculo Brasileiro de Psicanálise é instigante e emblemática porque coloca na berlinda as três pedras angulares da reprodução da Psicanálise. Cada um que aqui está desenvolve (ou desenvolveu) concomitante ou seqüencialmente as três funções; atua (ou atuou) nos três papéis. Assim sendo, as intervenções aqui apresentadas revelam a visão do psicanalista, mas é, também, o entendimento de um ex-cliente (que pode estar em análise ou estar retornando a ela) que analisa a instituição que propiciou e legitima sua formação, sua análise e sua prática.
É uma situação tão desafiadora quanto privilegiada e tão ambivalente que a neutralidade é inalcançável. Mesmo abordando o sujeito cliente sob a ótica do consumismo, é a leitura do individual e do coletivo, do consciente e do inconsciente, do objetivo e do subjetivo, do que está dentro e está fora, tal qual se circular pelo labirinto, passear pela Banda de Moebius.
O SUJEITO DO CONSUMO E DOS AFETOS
O consumismo tem sido confundido com boa qualidade de vida. Em nome da comodidade adquire-se o hábito de se abastecer de alimentos industrializados, encaixotados, embalados e enlatados, numa mistura química inominável, que sobrecarrega mais que nutre, e esteriliza a flora natural de qualquer um. Respira-se gases tóxicos oriundos das grandes fábricas e dos automóveis que geram ironicamente, de modo indireto ou direto, mais comodidade. Nenhuma casa moderna prescinde de eletrodomésticos. Uma cozinha bem equipada pode ter mais de dez aparelhos eletrônicos, que facilitam a vida da dona de casa, mas infelizmente, criam ruídos e campos eletromagnéticos, certamente não inócuos, que só o futuro poderá revelar as alterações biomoleculares que estão em processo no consumidor da atualidade.
Num frenesi de prazeres superficiais e descartáveis e até ameaçadores à própria integridade física, o poder midiático institucionaliza a anomia. Como no exemplo da indústria automobilística, que lança carros com propagandas e desempenho sedutores para grandes velocidades, fomentando inveja de quem não os possui, associando-os à potência sexual masculina, num país que até nas estradas a velocidade máxima permitida por lei é de 80 Km/h.
A onipotência e a onipresença da mídia determinam o que se come, onde se vive, como e onde se morar e se divertir, o que trajar, o que se ler, em que se acreditar, como deve ser a história da vida cotidiana no terceiro milênio, na pós-modernidade. O consumo é a nova ordem e a nova lei que eternizam o bem descartável, no seu tempo veloz (mais rápido de que o “o infinito enquanto dure” do poetinha Vinícius de Moraes), enquanto não chega a nova tendência, ditada pelos interesses econômicos que tornam tudo substituível e superado, para garantia de novos lucros.
O consumismo cria necessidades artificiais com tal força e apelo que há o esvaziamento, ou uma perversão do senso crítico, a ponto de que ao se possuir um objeto que não seja o último lançamento, mesmo cumprindo sua finalidade, pode se enfrentar constrangimentos. O exemplo dos celulares é pertinente: de uma semana para outra, aparecem novos modelos, com opções das mais variadas, que não se relacionam com sua finalidade básica. O novo aparelho é o que vende, é o que está na moda, é o que exibido, garante aceitação, é fashion.
Segundo Boltanski, a mídia é a grande divulgadora do consumo, investindo no público feminino, através de revistas que são lidas pelas mulheres das classes superiores, médias e populares, difundindo o comportamento e a necessidade da classe alta, aumentando o consumo de roupas, produto de beleza, bronzeadores, emagrecedores, etc. As necessidades virtuais são impostas como normas e padrões de consumo próprios das classes superiores, sob a ótica das classes dominantes. O autor cita as revistas francesas Elle e Marie-Claire, com versões em português para o Brasil, que visam as mulheres porque socialmente elas são detentoras da função de consumo. Elas prestam mais atenção ao corpo e exteriorizam mais seus gostos.
Tendo em vista que o índice de analfabetismo é alto no Brasil e o poder aquisitivo bem mais restrito que o francês, há que se pensar que as novelas, principalmente as da “emissora do plim, plim”, têm cumprido esse papel de manipulador e que vem massificando as escolhas. Para o mesmo autor, perder peso, fazer plástica e lipo aspiração são os cânones de beleza das classes superiores e o mal estar, a vergonha de não usufruir desses valores é a “vergonha de classe”.
O apelo ao consumo universaliza metaforicamente a finitude humana. As relações de afeto interpessoais e intrafamiliares são fragilizadas e inconsistentes nos programas e nas propagandas televisivas, que bombardeiam a qualquer hora, sem distinção da faixa etária que deve ser atingida. A exemplo dos objetos que se compra, utiliza por algum tempo e logo se despreza, o sujeito não cria vínculos estáveis com sua família nuclear, mas submete-se à tirania de ter mais e cada vez mais. É a alienação do poder econômico, gerando a alienação do consumismo, que por sua vez, gera a alienação das relações parentais. Essa deve ser uma das razões porque filhos abastados ou drogaditos têm sido notícia por terem assassinado seus genitores. Eles representavam uma lei ultrapassada, uma lei que devia permanecer, e por isso, eram um obstáculo ao vício do consumo.
A sociedade coletivamente não se deita no divã, mas o indivíduo ao deitar-se a traz consigo na sua formação, na sua subjetividade, na sua história, na sua cultura, nas suas relações sociais. O sintoma fala do sujeito singular e o habitus, segundo Bourdieu, fala do sujeito da cultura, analisado coletivamente. A sociedade é a grande família, as instituições sociais, funcionam como a grande lei que interdita. O desejo de consumo não existe apenas entre os que detêm o poder de adquiri-los. O apelo da mídia desperta necessidades de consumo em todas as camadas sociais. O consumismo desenfreado que parece nivelar a todos na pseudo democratização do desejo, tem sua face discriminatória e exclui o acesso. Muitos são chamados e pouco são os escolhidos. Muitos são seduzidos e poucos são os que podem se satisfazer.
Alguns burlam ou sublimam sua frustração aderindo às alternativas, aos similares, aos genéricos. Para Boltanski, quem tem dinheiro compra uma roupa de couro e quem não tem usa napa; quem pode, usa jóia e quem não pode, enfeita-se de bijuterias. Constata-se que há poder aquisitivo para o Mac Donald, para o Habibs e para os vendedores de lanche ambulantes. Há produção de objetos personalizados, caros, de produção restrita, com o nome e ao gosto do freguês para o primeiro grupo. Para o segundo, há uma produção em massa, indiferenciada, homogenizadora.
Existe o terceiro grupo que é maior em quantidade e não tem poder aquisitivo algum. É uma grande parcela da população que é hipnotizada pela mídia, tem o convite universal ao consumo, mas são todos excluídos, por não terem poder de compra. Essa frustração renovada é uma das causas da violência urbana, que banaliza a vida do ser humano, a ponto de valer menos do que um tênis, entre os rebeldes, aqueles mobilizam a força policial nos grandes centros, principalmente, nas grandes festas de consumo, tais como Natal e Carnaval. A frustração também causa a “doença dos nervos” que se manifesta nos corpos e no psiquismo dos enquadrados, dos que se resignam.
Exagerados ou sensíveis ao desenrolar dos acontecimentos, os diretores e roteiristas da sétima arte focalizam o outro lado da moeda. Estão anunciando que o homem, a sua realidade e sentimentos não passam de uma grande construção: tão frágil, quanto virtual. Anunciam que há o tempo de caçar e há o tempo de ser caçado. Sugerem que pode ocorrer a inversão e o grande consumidor pode ser consumido. É possível que nessa leitura cinematográfica, que questiona e ameaça o domínio e o direito do homem sobre sua vida e atos nas sociedades modernas, esteja a paranóia do criador que na sua ambivalência admira e teme o que criou.
Em 1968, Stanley Kubrick, no filme “2001 – Uma odisséia no espaço”, mostra um super computador assumindo o controle de uma nave espacial, que viajava numa missão para Júpiter, à medida que ia eliminando seus tripulantes. Ridley Scott, em 1982, coloca nas telas robôs perfeitos, criados à semelhança humana que devem ser exterminados porque se rebelaram, no filme “Blader Runner”. Peter Weir, em 1998, de forma inquietante, incomoda a certeza de veracidade do que é real, daqueles que experimentam uma vidinha tranqüila e rotineira, como a do personagem de “O show de Truman – o show da vida”.
Mais sofisticado e mais ameaçador é o enredo de Matrix, dos irmãos Wachowiski, em 1999. A máquina controla tudo através de uma simulação da realidade, na qual o ser humano vive imerso numa sociedade virtual, que não passa de um sonho, uma grande farsa. Além disso é também usado como bateria para abastecer um sistema de inteligência artificial, que dá vida aos softwares conscientes, autônomos que podem tomar qualquer forma, inclusive a humana.
Oráculo ou diversão, essas produções cinematográficas incomodam. Não é mais a máquina criada para o usufruto e comodidade do homem, mas o homem criado para servir à máquina. É a ironia dos fatos: o que fora criado para consumo do homem, transforma-o em objeto de consumo. Mais do que alienado do próprio desejo, o atual escravo do consumo corre o risco de mais adiante estar alienado da própria vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
“O que conta nas coisas ditas pelos homens não é tanto o que teriam pensado aquém ou além delas, mas o que desde o princípio as sistematiza, tornando-se pelo tempo afora,infinidamente acessíveis a novos discursos e aberturas às tarefas de transformá-las”.
( Foucault 1987:XVIII)
Hiper estimulado pelo universo de necessidades básicas e necessidades artificiais, há que se dar um encaminhamento a esses estímulos. Por quanto tempo o princípio da realidade controla o princípio do prazer? como o ego vai conseguir administrar e conservar-se competente nessa relação ego X id X superego? Dentre os suscetíveis ao canto sedutor do consumo, quem dispõe de alto poder aquisitivo consome os originais; quem tem menos consome os genéricos ou similares. Mas a realidade mostra que no Brasil e no mundo, a maioria da população está concentrada na camada de classes populares, aqueles que não têm nada, nada alcançam e nada podem.
Guardando algumas especificidades, do ponto de vista econômico, a análise é um bem de consumo, uma mercadoria de troca (tempo disponível e conhecimento do técnico), o cliente é o consumidor (que usufrui, consome pagando o bem) e o analista é o detentor do bem (conhecimento/tempo técnicos transformados em honorário). Semelhante aos médicos, os analistas sofrem as perdas financeiras do mercado e são forçados a se submeter aos planos de saúde, que são os grande tubarões a devorar pequenos e médios peixes.
A mudança determinada pela nova ordem econômica revela que as pessoas não têm mais tempo e muito menos dinheiro. A análise da pequena burguesia que ocorria cinco vezes/semana nos dias de Freud, vem ocorrendo quando muito duas vezes por semana, porque o comum são sessões semanais e até quinzenais. Claro que ainda resta o espaço que preserva o “discreto charme de burguesia”, das sessões a cada seis meses ou anuais na França.
Se o poder de concentração de renda circula entre os que se situam no pontiagudo topo da pirâmide econômica, qual a alternativa de abordagem do psiquismo que se oferece para consumo de mais de 70% da população brasileira, usuária do Sistema Único de Saúde (SUS)? O que se descortina é estarrecedor: na vacância da oportunidade de se elaborar a subjetividade, reinam inabaláveis os psicofármacos, para fortalecimento das multinacionais que fabricam felicidade em blísters, para ser consumida em miligramas.
Sabe-se que 60% dos que procuram um serviço de saúde, podem ter seu problema resolvido no nível básico de atendimento porque não apresentam distúrbios orgânicos complexos. No entanto, são submetidos a uma parafernália de exames caros, com resultado negativo, porque o médico não tem tempo de ouvir os 20 pacientes/turno que deve atender, garantindo sua produtividade mensal na unidade de serviço.
As estatísticas de Saúde Pública comprovam que apenas 40% dos que procuram uma consulta precisam passar para níveis de atenção de média e alta complexidades. Os outros 60% teriam seu problema resolvido no nível básico, com uma escuta técnica voltada para uma compreensão que transcenda ao biológico, porque são pessoas que sofrem as crises existenciais, o desamparo da perda de aquisição, de identidade e de segurança impostas pelo neo liberalismo.
O filme Matrix retrata uma sociedade alienada e sugere a mudança a partir de um processo/momento de conscientização, da ação das “ilhas de resistência“. As descobertas que mudam o rumo alienante, são mostradas na seqüência do filme, na qual o personagem central não se permite mais ser ferido pelas balas, que acreditava serem reais, mudando sua percepção sobre elas, percebendo-as como realmente eram: uma construção.
A instituição, o psicanalista e o saber psicanalíticos colocam-se como uma das opções nos dias atuais para desfazer a alienação do próprio desejo, que escraviza ao desejo do outro. Resta ao analista, cliente e a instituição o desafio de descobrir parceiros, como e por onde construir a alternativa da oportunidade da elaboração psíquica, dos insigts, para a clientela que não pode consumir uma Psicanálise que vive os louros nostálgicos da falida e diminuta burguesia. Há um campo novo para esse saber na pós-modernidade, um campo que emerge na rede própria, nos Serviços de Saúde do SUS.
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FREUD, S.. 1976. Além do princípio do prazer.In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Vol VXIII, Imago Editora, Rio de Janeiro.
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FREUD, S. 1976. O mal estar na civilização. In: Edições Standard das Obras Psicológicas Completas. vol XXI. 2ª edição. Rio de Janeiro, Imago.
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RABELO, M. C. & ALVES, P. C. 2000. Experiências de aflicción y tratamiento en el ámbito religioso. In: León, R. B. & Minayo, M. C. & Coimbra Jr., C. E. A. (coord.). Salud y Equidad: una mirada desde las ciências sociales. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, pp. 189- 210.
THOMPSON, J. B. 1999. O advento da interação mediada.In: A mídia e a modernidade. Petrópolis: Vozes, pp. 77-106.
NOTA * Médica homeopata, psicanalista, membro do Círculo de Psicanálise da Bahia, mestranda em Saúde Coletiva, no Instituto de Saúde Coletiva / UFBa, na área de Ciências Sociais e Saúde. |
© 2009 Círculo Psicanalítico da Bahia
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| |
| ISO Format | |
| MONTEIRO, Dalva de Andrade. O sujeito do consumo e os laços afetivos. Cogito, 2004, vol.6, p.61-65. ISSN 1519-9479. | |
Electronic Document Format (ISO) | |
| MONTEIRO, Dalva de Andrade. O sujeito do consumo e os laços afetivos. Cogito. [online]. 2004, vol.6 [cited 20 April 2009], p.61-65. Available from World Wide Web: . ISSN 1519-9479. | |
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psiquiatria,
Sujeito.
domingo, 11 de janeiro de 2009
12. Poesias d'Hela: In Sanidade
In Sanidade
O grito abafado
De minha alma
Percorre insanas noites perenes
Nos labirintos de minha mente,
Essa mesma
Que demente,
Tenta fugir
Dos infinitos olhos da noite
Vigilantes que são
Dos meandros de meu ser
E do insensato em mim.
Mal sabendo
Da insensatez,
Essa mesma,
Ser o cerne
De minha lucidez.
By Helamor, 26 de maio de 2008, Clínica Psiquiátrica São José, Porto Alegre/RS, para a série de desenhos de mesmo nome: "In Sanidade", ainda sendo elaborados.
___________
Publicado a primeira vez no blog helamor, veja o texto na íntegra clicando aqui:
In Sanidade - poesia dHela
http://helamor.multiply.com/journal/item/181/In_Sanidade_-_poesia_dHela
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sábado, 10 de janeiro de 2009
11. In Sanidade IX - My Frankenstein
11.- A imagem foi feita para ilustrar a capa de um possível livro de contos de terror, a pedido de um paciente da clínica, Luiz Fernando, a partir da própria imagem dele, numa releitura de Frankenstein. A idéia era estruturar a imagem sob o prisma das clonagens humanas, fazendo um pararelo entre o eterno desejo do homem em imitar Deus no ato de criação de suas criaturas. Porém, isso não foi aceito por Luiz Fernando, pois ele queria que a imagem estivesse visivelmente associada com a imagem criada pelo cinema, não me permitindo explorar novas interpretações, como eu gostaria de ter feito, usando uma imagem mais contemporânea da criação de vida em laboratórios, através da clonagem de seres...
Entretanto, apesar de meio caricato, eu gostei do resultado e pretendo explorar mais essa idéia.
Sobre a historia original, transcrevo o texto abaixo.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Frankenstein
Frankenstein
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Nota: Se procura o filme de 1931, consulte Frankenstein (1931).
O romance obteve grande sucesso e gerou todo um novo gênero de horror, tendo grande influência na literatura e cultura popular ocidental.
Índice |
Enredo
Victor Frankenstein começa contando de sua infância em Genebra como filho de um aristocrata suíço e adolescência como estudante autodidata dedicado e talentoso. Neste ponto ele apresenta Elizabeth, criada como irmã adotiva, e Henry Clerval, seu amigo para a vida toda. Frankenstein interessa-se pelas ciências naturais e acaba estudando livros de mestres alquimistas, especialmente Cornélio Agripa, Paracelso e Albertus Magnus até os 17 anos de idade, quando seus pais enviam-no para estudar na Universidade de Ingolstadt, na Alemanha. Porém, antes da partida sua mãe contrai escarlatina ao cuidar de Elizabeth, e vem a falecer.
Ao chegar em Ingolstadt o jovem Victor procura seus futuros mestres, que condenam fortemente o tempo de estudo dedicado aos mestres alquimistas, e apresentam-lhe as modernas ciências naturais. Empenhado em descobrir os mistérios da criação, Victor estuda febrilmente e acaba encontrando o segredo da geração da vida, o qual se recusa a detalhar ao seu interlocutor, o capitão Walton.
Frankenstein então dedica-se a criar um ser humano gigantesco, sacrificando o contato com a família e a própria saúde, e após dois anos obtém sucesso. Porém, Victor enoja-se com sua criação, e abandona-a, fugindo. É encontrado por seu amigo Clerval, que viera a Ingolstadt estudar. Exausto, sucumbe à febre, sendo cuidado por seu amigo pelos meses seguintes, até seu reestabelecimento.
Victor Frankenstein recebe uma carta de seu pai relatando o assassinato de William, o seu irmão mais novo, e pedindo a sua volta. Ao chegar em Genebra, é informado que Justine, uma criada muito querida da casa dos Frankenstein, é acusada do crime, sendo encontrada com ela a jóia que o menino levava antes de desaparecer, e que não estava junto ao cadáver. Mesmo assim Victor está convencido de que Justine é inocente, e o verdadeiro culpado é a sua criatura. Porém as evidências contra ela são fortes e Justine é condenada a morte e executada pelo crime. Frankenstein passa a se sentir culpado por ter criado o monstro, e o segredo e a culpa passarão a lhe torturar.
Lutando contra o desespero, o doutor Frankenstein resolve escalar o Monte Branco. Durante a subida, é encontrado por sua criatura, que é surpreendentemente articulada e eloqüente. O monstro conta sua história, narrando como fugiu do laboratório de Frankenstein para uma floresta próxima, onde aprendeu a comer frutas e vegetais, e a usar o fogo. Porém, ao encontrar seres humanos era sempre escorraçado e agredido, então eventualmente esconde-se no depósito de lenha anexo a uma cabana. Lá, observa através de frestas na parede a vida de uma família pobre de ex-nobres, afeiçoando-se a eles e ajudando-os em segredo. A família consistia de um pai cego e um casal de irmãos. Aprende a língua e a escrita espionando as aulas que davam à noiva árabe do irmão, e encontra livros onde aprende sobre a vida e a virtude. Após longo tempo toma coragem para se apresentar a família, e consegue conversar com o pai cego, mas quando os filhos chegam e o vêem junto ao pai também escorraçam o monstro, e fogem para sempre da cabana. A criatura torna-se amargurada e resolve procurar seu criador, cujo diário descobrira no bolso do casaco que levou do laboratório na noite da fuga. Durante a travessia é sempre agredido pelos humanos.
Ao chegar em Genebra encontra o irmão mais novo de Victor, William, e assassina-o, incriminando depois Justine. Ao terminar sua história, o monstro exige a promessa de que Frankenstein construa uma fêmea para ele, prometendo por sua vez deixar a humanidade em paz e ir viver com a sua noiva nas selvas sul-americanas. Frankenstein concorda, e ao voltar para Genebra torna-se noivo de Elizabeth, partindo com Clerval para a Inglaterra, a fim de cumprir a sua promessa.
Na Grã-Bretanha, Frankenstein vai para uma ilha, onde começa a construir a fêmea. Entretanto, ele muda de idéia, temendo criar uma raça de monstros, e destrói a criatura incompleta. O monstro acompanha o ato, e jura se vingar. Em seguida assassina Clerval. Frankenstein chega a ser acusado do crime, mas é inocentado por possuir um forte álibi. Seu pai vem lhe buscar e ambos retornam à Suíça.
Mesmo devastado pela culpa e pela tristeza, Victor casa-se com Elizabeth e no mesmo dia sai para viajar em lua de mel. Na noite de núpcias, fica vigiando a casa, temendo um ataque da criatura contra ele, mas o monstro ataca Elizabeth e a estrangula. Victor volta a Genebra, e com a notícia da morte de Elizabeth, seu pai adoece e morre em seguida. Jurando vingança, o criador passa a perseguir a criatura, que o leva através de uma longa caçada em direção ao norte, prosseguindo pelos mares congelados, onde eventualmente são avistados pelo capitão Walton e sua tripulação.
O navio dos exploradores fica preso no gelo, e Victor, já bastante doente, acaba morrendo. O capitão Walton então surpreende a criatura na cabine, no leito de morte de Frankenstein, pranteando seu criador. Ela diz para Walton que não havia mais o que temer pois seus crimes terminaram com a morte de Frankestein e prometeu ir ao extremo Norte e lá ela cometeria o suícidio trazendo paz aos humanos.
Origens
Em 1815 o Monte Tambora na ilha de Sumbawa, na atual Indonésia, entrou em erupção. Como consequência, um milhão e meio de toneladas de poeira foram lançadas na atmosfera, bloqueando a luz solar, deixando o ano de 1816 sem verão no hemisfério norte.Neste ano, Mary Shelley, então com 19 anos e ainda com o nome de solteira Mary Wollstonecraft Godwin, e seu futuro marido, Percy Bysshe Shelley, foram passar o verão a beira do Lago Léman, onde também se encontrava o amigo e escritor Lord Byron. Forçados a ficar confinados por vários dias em ambiente fechado pelo clima hostil anormal para a época e local, os três e mais outro hóspede, o também escritor John Polidori, passavam o tempo lendo uns para os outros historias de horror, principalmente histórias de fantasmas alemãs traduzidas para o francês.
Eventualmente Lord Byron propôs que os quatro escrevessem, cada um, uma história de fantasmas. Byron escreveu um conto que usaria em parte mais tarde na conclusão de seu poema Mazzepa. Inspirado por outro fragmento de história de Byron desta época, Polidori mais tarde escreveria o romance “O Vampiro”, que seria a primeira história ocidental contendo o vampiro como conhecemos hoje, e que décadas depois inspiraria Bram Stoker no seu Drácula. Porém, passados vários dias, Mary Shelley ainda não conseguira criar uma história. Eventualmente ela veio a ter uma visão sobre um estudante dando vida a uma criatura. Essa visão tornou-se a base da história de Frankenstein, a qual Mary Shelley veio a desenvolver em um romance, encorajada pelo seu futuro marido.
Desta forma, é curioso notar que o Frankenstein e o Vampiro vieram a ter sua gênese literária na mesma ocasião.
Shelley relatou sua versão da gênese da história no prefácio à terceira edição de seu romance.
O nome da criatura
Embora a cultura popular tenha associado o nome Frankenstein à criatura, esta não é nomeada por Mary Shelley. Ela é referida como “criatura”, “monstro”, “demônio”, “desgraçado” por seu criador. Após o lançamento do filme Frankenstein em 1933 o público passou a chamar assim a criatura. Isso foi adotado mais tarde em outros filmes. Alguns argumentam que o monstro é, de certa forma, um “filho” de Victor, e portanto pode ser chamado pelo mesmo sobrenome.Frankenstein é o antigo nome de uma antiga cidade na Silésia, local de origem da família Frankenstein. Mary Shelley teria conhecido um membro desta família, o que possivelmente influenciou sua criação.
Edições
Apesar das críticas desfavoráveis, a edição teve um sucesso de público quase imediato. Ficou bastante conhecida, principalmente através de adaptações para o teatro e a obra foi traduzida para o francês.
A segunda edição de Frankenstein foi publicada em 11 de agosto de 1823 em dois volumes, desta vez com o crédito como autora para Mary Shelley.
Em 31 de outubro de 1831 a editora Henry Colburn & Richard Bentley lançou a primeira edição popular em um volume. Esta edição foi significativamente revisada por Mary Shelley, e continha um novo e longo prefácio escrito por ela, relatando a gênese da história. Esta edição é a mais conhecida e mais usada como base para traduções.
Temas
Frankenstein aborda diversos temas ao longo do texto, sendo o mais gritante a relação de criatura e criador, com óbvias implicações religiosas. Uma influência notável na obra é o poema Paraíso Perdido de John Milton, que aborda a criação do homem e sua subseqüente queda. A influência torna-se explícita tanto através da epígrafe que cita três versos do poema, quanto aparecendo diretamente em Frankenstein: é um dos livros que a criatura lê.A queda, ou a ruína, está bastante presente no livro de Shelley, que traça a destruição física e moral de Victor Frankenstein, e é aludida não só nas citações de Paraíso Perdido, como no próprio título da obra: O Moderno Prometeu. Prometeu é um personagem da mitologia grega, um titã que, ao roubar o segredo do fogo, o qual era reservado aos deuses, para doá-lo a humanidade, é severamente punido por Zeus. O paralelo com a trajetória de Victor Frankenstein é direto, e o livro deixa claro que o segredo da criação da vida a partir de matéria inanimada é de natureza divina.
O poder exercido pela humanidade sobre a Natureza através da ciência e da tecnologia é outro tema principal da obra, e encaixa-se no espírito da época, o estágio inicial da Revolução Industrial.
Outros temas são abordados com menos ênfase. A amizade verdadeira é tratada, com o Capitão Walton desejando tornar-se amigo de Victor, e Victor elaborando sobre ela ao se referir a sua amizade com Clerval.
Preconceito, ingratidão e injustiça também estão presentes. A criatura é sempre julgada por sua aparência, e agredida antes de ter uma chance de se defender. Em um episódio, o monstro salva uma garotinha inconsciente e, ao tentar devolvê-la para seu pai, é baleado e acusado de tê-la agredido. A inveja também aparece, ao subverter os bons sentimentos iniciais do monstro.
A expressão do sublime através da grandiosidade da Natureza é um tema caro ao Romantismo, e aparece em Frankenstein nas descrições das grandes planícies de gelo e das paisagens da Europa.
Por fim, a inevitabilidade do destino, tema muito desenvolvido na literatura clássica, é constatemente aludida ao longo do romance, que é uma obra que se presta a múltiplas interpretações e leituras.
Adaptações
O romance foi primeiramente adaptado para o teatro, e posteriormente para um grande número de mídias, incluindo rádio, televisão e cinema, além de quadrinhos.Um grande número de continuações seguiram-se, mas desta vez divergindo bastante da história narrada no romance. Em 1943 o personagem foi vivido por Bela Lugosi em Frankenstein Encontra o Lobisomem. Já em 1969 foi a vez de Peter Cushing estrelar a versão do diretor Terence Fisher que levou o título de Frankenstein tem que ser Destruído. Na década de 80 o personagem voltaria em dois filmes: Frankenstein do diretor James Ormerod e Gothic de Ken Russell.
Em 1994 foi lançada uma adaptação cinematográfica dirigida por Kenneth Branagh de nome Mary Shelley's Frankenstein (veja a entrada IMDb), com o próprio Branagh no papel de Victor Frankenstein, Robert De Niro como a criatura e Helena Bonham Carter como Elizabeth. Apesar do título sugerir uma adaptação fiel, o filme toma uma série de liberdades com a história original.
As representações do Monstro e sua história têm variado bastante, de uma simples máquina de matar sem capacidade de reflexão a uma criatura trágica e plenamente articulada, o que seria mais próximo do retratado no livro.
O romance Frankenstein ainda serviu como inspiração para o filme Edward Mãos de Tesoura (1990), de Tim Burton.
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10. Hela na Clínica

10.
1. Hela desenhando no quiosque da Clinica São José.
O lugar é muito lindo e inspirador, recomendo!!
[In the open area, of course!!]
:P
2. Hela, Dayse e parte da Mulher Misteriosa, pátio da Clínica São José, 2008.Tomando um solzinho...
3. Unidade Dejerine da Clínica São josé, salão da recepção, decorado por Hela para o aniversário de uma das pacientes internada lá naquele momento...
4. O galho mostra corações com flores de papel crepon, para serem levados como recordação da festa.
5. A lareira, com o galho de lembrancinhas junto dela...
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
8. In Sanidade II
8.Modelo: Dayse.
Clínica São José, maio/2008.
Foto do desenho feita por celular e editada por editor de imagens.
7. In Sanidades d'Hela

7.
A série de trabalhos intitulada "In Sanidade" faz referência aos estados de saúde mental, física e espiritual, questionando: o que é sano e o que é insano?
Colocando a fruição e o fazer artístico como parte importante na questão da sanidade, além dos recursos que nos são disponibilizados em nossos núcleos sociais, como a medicina física e/ou de estética corporal, passando pelos processos de saneamento mental, psicológico e dos recursos terapêuticos alternativos, como, por exemplo, os religiosos ou ritualísticos, visando o saneamento espiritual.
Todos esses processos são passíveis de serem questionados, reavaliados e valorados, conforme o nível de evolução cultural, intelectual, de conhecimento, ou tecnológico de cada época ou sociedade.
Assim como se questiona: O que é Arte? Se pode questionar: O que é a sanidade, e quais processos nos colocam mais dentro ou mais fora dela?
A Arte Contemporânea nos permite ampliar abordagens para além de tudo aquilo que já presenciamos validado como Arte.
Os trabalhos dessa série foram iniciados durante tratamento psiquiátrico da artista.
Internada em uma clínica com diagnóstico de depressão profunda - após grave crise resultante de agressão psicológica em seu local de trabalho, advinda de uma série de fatores correlatos, culminando em ataque pessoal à integridade emocional da artista, por parte de um de seus alunos de uma escola noturna onde exercia suas atividades laborais como professora -, a artista dá início a uma série de desenhos sobre a paisagem do local e de alguns pacientes, funcionários e visitantes da clínica.
A série recebe o nome de "In Sanidade", num jogo de palavras que instiga o questionamento sobre todo esse processo vivenciado ali, numa clínica psiquiátrica.
A violência, seja ela física ou psicológica, sempre faz estragos em nossa saúde, porém, a medida dessa violência e o quanto ela possa vir a nos afetar, nem sempre está visível aos olhos dos observadores externos. É nessa questão que a violência psicológica se insere com mais ênfase e é a mais difícil de ser tratada, pois não é possível de ser apontada assim tão facilmente. Além disso, a sensibilidade de cada um faz doer mais ou menos esse ou aquele incidente, ocasionando consequências mais ou menos profundas, que vão marcando nossa personalidade. Somente cada um de nós pode dizer o quanto pode suportar de dor... e onde dói mais, se em nossas dores corporais ou mentais...
A ciência, dentro dela os ramos da medicina, vem, através dos tempos, buscando remédios para ambas as dores, muitas vezes os remédios foram, ou são, muito mais doloridos, pois somos as próprias cobaias nesse processo, não temos como escapar disso.
A Arte pode nos agredir com suas imagens, ferir suscetibilidades e ser até cruel no conteúdo nela exposto, mas sempre aguça nossos sentidos de alguma forma. Porém, nossos sentidos não são parâmetros para avaliar corretamente a realidade, por isso, quanto mais a Arte nos questione e nos faça pensar, mais poderemos ultrapassar nossas percepções sensoriais para chegar a real medida das coisas, com o nosso intelecto.
Mas, que medida é essa?
Que parâmetros temos, cada um de nós, para medir a sanidade das coisas?
Veja-se Gaza, por exemplo, entre árabes e judeus, entre a vida e a morte, entre o amor e o ódio, a compreensão e a incompreensão, as bandeiras políticas, religiosas, territoriais, filosóficas e culturais sacodem o planeta e perguntam:
- Onde está a sanidade humana???!!!
In Sanidades d'Hela, é isso: nunca parar de perguntar: por quê?
O que amenizam as respostas que se vão encontrando é a energia dispendida no ato de fazer Arte, de buscar soluções para problemas estéticos de aliar forma e conteúdo, quando se expõe a alma...
Olhe bem para minha alma, diz a artista em suas obras, mesmo quando tenta expor nelas as almas de outrém, e avalie o que vês com a mesma profundidade ali exposta, só assim a catarse será completa e alguma sanidade, para um, ou ambos, poderá vir a ser possível...
A partir dessa série e desses questionamentos aí surgidos, vários outros trabalhos, anteriores e posteriores a esse processo, são reavaliados e nela também posicionados, por fazerem parte desse todo. Porque a busca da sanidade não é estanque, nem prioridade nossa em um único período, ela perpassa toda a nossa existência, em todas as nossas relações, fazeres, amores e dissabores, alegrias e tristezas, o certo e o errado, buscamos sempre um equilíbrio. Os desequilíbrios nos colocam no lado oposto: no insano.
Mas o que é sano, e o que é insano?
Não sabemos, nossas referências são os outros e suas atitudes, mas os outros, ao que parece, também não sabem...
Último diagnóstico: bipolaridade. Mas, o que é isso? Pular-se entre o sano e o insano?
Alma, voa livre, tu não precisas de diagnósticos!
Um abraço,
Hela Amorim.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
4. In Sanidade IV
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2. In Sanidade I
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